De repente eu senti como se houvesse um buraco em meu peito. Eu não conseguia pensar. Tantas informações, tantas coisas não ditas, e agora simplesmente nada disso fazia sentido.- O quê? Como assim hospital? O que aconteceu com ela? Ela está bem? - As palavras saíam atropeladas enquanto eu agarrava o braço de Carlos exigindo uma explicação.
- Ela está bem. Fique calmo. Agora está tudo bem - Disse Carlos com a voz firme e tranquilizadora.
- Mas o que houve? - Minha voz assumia um tom derrotado.
- Isso eu acho que ela mesma vai poder te contar. Acho que mais do que nunca vocês precisam conversar. Posso te dar uma carona - Ele disse enquanto se levantava indo em direção ao estacionamento.
Eu permanecia sentado olhando-o se afastar.
- Ainda pretende pegar o ônibus? - Ele me questionou - Porque se for, ele está saindo nesse exato momento.
Observei os últimos passageiros entrarem no ônibus para Passo Largo e enquanto o motorista fechava a porta, eu me levantei e acompanhei Carlos em direção ao estacionamento.
Permaneci em silêncio enquanto íamos em direção ao carro e entrei na porta do carona sem muita vontade.
O caminho para o hospital se estendeu durante apenas uns quinze minutos, mas que pareceram uma eternidade. Olhando pela janela, eu podia ver todos os meus anos de exclusão social, a morte da minha mãe, o alcoolismo do meu pai... Tudo tão claramente, tudo tão definitivo, tão certo... Pelo menos até o momento em que vi o rosto de Luísa pela primeira vez. Nada com ela parecia normal, dentro dos padrões. Era a primeira vez que alguém se aproximava mim apesar da minha aparência desleixada, carrancuda e de poucos amigos. Ela tão linda, tão meiga, tão viva...
Eu procurava entender, mas tudo parecia tão confuso, tão errado...
Pedro... Esse nome ainda me perturbava... Eu agora sabia que ele estava morto, mas toda vez que pensava em Luísa, era como se uma sombra com esse nome se colocasse entre nós. Pensei no que Carlos disse sobre nossa semelhança e meu peito se encheu de raiva... "Ela só se aproximou de mim por que sou parecido com ele..." Minha vontade era de descer do carro e ir embora, mas nesse momento, percebi que Carlos havia parado na entrada do hospital local.
Minha vontade era fugir dali, mas ao mesmo tempo sentia a necessidade de encontrá-la, de ouvir o que ela tinha para me falar. Quando desci do carro, percebi que não tinha coragem de entrar. Carlos me olhou e se aproximando, tocou meu ombro e disse:
- Ela tentou se matar Daniel!
Mesmo que eu vivesse cem anos eu jamais conseguiria descrever todas as coisas que se passaram pela minha cabeça e pela primeira vez eu não sabia o que o que fazer, dizer...
Meus olhos se encheram de lágrimas. Carlos sentou-se na calçada e me olhando disse:
- Senta aí, pô! Vamos dar um tempo por aqui, e quando você se sentir bem a gente entra.
Eu sentei e chorei sem me importar com quem estava perto ou talvez me olhando...
Assim que me aproximei do quarto, consegui ver pelo vidro que ela estava sozinha, sentada na cama olhando pela janela.
Respirei fundo e tomado de uma coragem inexistente abri a porta.
CONTINUA
4 comentários:
Eita Mandark...e agora?e agora?rs
Beijoooo
Ai, chorei,rs.
Quero só ver agora...
Xeroo
Ah, agora estou vendo porque você disse que tinha uma veia de escritor.
Não li tudo ainda mas vou ler. Continue o bom trabalho : )
ai meu DEUS...diz logo como ela vai reagiiiiiiiiiiiiiir..por favoooooooor...eu que nem sou tão curiosa assim...to me roendo aqui..rs
jurava que ja tinha comentado...maaaas tudo bem... =)
bjoooooo...e otimos dias pra ti...falo...dias de folgas...pra ti postar logo o 9° capitulo!! ^^
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