03 fevereiro 2010

[alone] 7ª parte


-Eu e seu pai realmente acreditávamos que estávamos fazendo o melhor para você! - Laura falava pausadamente, ainda sentada na cama ao lado de Luísa.
- Mas como vocês saberiam o que era o melhor para mim? Vocês nunca me ouviram! - a voz de Luísa saiu um pouco mais alta do que ela gostaria, então se calou.
- Eu sei! Mas você tem que tentar entender nossa posição em toda aquela situação. Você ia fugir com aquele rapaz...
- Ele tem nome mãe! Pedro era o amor da minha vida! Vocês nunca respeitaram minha opinião. Sempre que tentei me abrir com vocês, como quando contei sobre nosso namoro, sua única reação foi de me mandar embora para a casa dos meus tios. Nunca houve conversa, apenas as decisões de vocês que eu deveria acatar sem nem questionar. Eu não podia fazer isso de novo.
- Se você talvez não tivesse insistido naquela idéia talvez ele ainda estivesse vivo...
- Não! Não vou mais me culpar por isso! Não vou deixar você jogar esse joguinho novamente comigo - Disse essas palavras tentando se levantar da cama.
- Espere! Me perdoe - Laura parecia angustiada - Não se levante. Você tem que ficar de repouso - segurando o braço da filha, até que ela se acalmou novamente, acrescentou - Eu sei que erramos, mas vamos tentar mudar essa história. Apenas nos dê mais uma chance para tentar acertar com você.

...

- Ele morreu antes de chegar no hospital - Carlos disse - E ela o esperou até de madrugada numa clareira perto da estrada. Eu ajudei a procurá-la. Quando a encontramos, ela não queria sair daquele lugar. Tive que contar para ela que ele estava no hospital...
Daniel ouvia tudo sem pronunciar nenhuma palavra. Sua mente parecia viajar na história que Carlos contava.
- Eles foram para o exterior durante quase um ano. Luísa foi encaminhada a diversos psicólogos. Vivia na base de remédios, sem quase falar com ninguém. Quando surgiu a chance de abrir uma filial da empresa aqui na cidade, tio Jorge achou que seria uma boa oportunidade para voltarem para o Brasil e tia Laura concordou. E foi assim que eles chegaram aqui, esperando que os novos ares pudessem ajudar Luísa a se recuperar. Até o retorno para a faculdade ele providenciou. Não imagina o susto que eu levei quando Luísa me ligou algumas semanas atrás dizendo que "Pedro havia ressuscitado para dar-lhe mais uma oportunidade...". Não posso negar a enorme semelhança entre vocês...

...

Dr. Laerte olha o prontuário de Luísa com atenção:
- Você teve sorte mocinha, apesar de sua melhora, eu quero que passe mais uma noite aqui sob observação e talvez amanhã pela manhã já possa ir para casa.
Jorge estava sentado perto da cama, olhando para a filha. Laura havia saído para comer alguma coisa e os dois ficaram em silêncio depois que o médico saiu.
- Será que um dia você vai nos perdoar? - a voz de Jorge era grave e firme, porém seus olhos pareciam cansados e envelhecidos.
- Eu não sei - foram as únicas palavras que Luísa pronunciou.
- Acho que fizemos tudo errado, não é? - depois de alguns segundos acrescentou - Me perdoe minha filha...
Luísa olhou para o pai sempre firme, duro, cheio de si... Agora de repente envelhecido, abatido.
- Sempre é hora de recomeçar... Eu também nunca fui a filha perfeita - disse Luísa sorrindo.
Seu pai levantou e se aproximou da cama com lágrimas nos olhos, a abraçou.
Do lado de fora do quarto Laura acompanhava a conversa perto da porta comovida.

...

- Ela me ligou e me contou que você estava desconfiado. Ela estava com medo que você descobrisse alguma coisa e estava arrependida de ter se aproximado de você sem contar toda a verdade. Ela não sabia o que fazer... Então me chamou para ajudá-la. Queria afastá-lo dela, antes que, segundo ela, você se machucasse como Pedro - Ele deu uma pausa e então disse - Eu tentei fazer com que ela contasse a verdade, mas ela achava que era tarde demais. Então ela teve a idéia do namoro.
Daniel parecia incomodado, mas não disse nada, e por um momento olhou para a plataforma na qual se aproximava o seu ônibus.
- E o que ela vai fazer agora? O que ela quer que eu faça? - Sua voz tinha raiva e ressentimento.
- Isso só ela vai poder te responder.
- E onde ela está?
- No hospital.
- Como assim? O que aconteceu? - perguntou Daniel com o olhar alarmado.

CONTINUA

Um comentário:

Unknown disse...

Ai meu Deus,coitada da meninaaaaaaaaa...cheias de confusão na cabeça...bacana o Carlos ter ido la falar com o Daniel...rs(quem vê assim..eu atpe conheço eles,né?)

bjoooooooooo...to indo ler o proximooooooooo!!
saudade !!!