sexta-feira, 20 de novembro de 2009

[o sonho] [FINAL] 2ª parte

Estar postado no altar como um pinguim o fez sorrir. Mas seu sorriso desapareceu quando ele a viu entrar na igreja. Usava um lindo vestido de verão azul bem claro e tinha os cabelos em trança caindo de lado sombre o ombro esquerdo. Linda era a única coisa que se passava em sua mente enquanto ela entrava sorrindo para ele e sentando-se bem no meio da nave da igreja. "Eu não mereço esse sorriso!" E com esse pensamento ele viu seu irmão entrar na igreja e desviou dela sua atenção, apesar de não conseguir tirá-la da mente.

Tudo passou muito rápido, e ele parecia alheio e distante quando se sentou na recepção. Queria estar feliz por seu irmão, e estava, mas queria poder demonstrar mais animação junto com os outros rapazes. Quando a viu entrar no salão, levantou-se e sem saber o que fazer, correu até os outros r
apazes e começou a fazer graça com todos, evitando qualquer proximidade com ela, que se sentou com um olhar decepcionado.

A festa transcorreu rapidamente e logo percebeu que estava se divertindo com seus amigos e seu irmão. Seu irmão parecia muito feliz de vê-lo participar da algazarra e aproximando-se dele num momento, beijando-o disse:
- Te amo maninho!
- Também amo você brother - E sorrindo disse - Você sabe como desejo que você e a Sara sejam felizes, né?
- Então complete nossa felicidade e venha morar conosco - Disse ele sorrindo.
- Achei que já tivéssemos conversado sobre isso tudo, né? Já sou bem grandinho e vocês precisam de espaço e tempo. E eu estou há muito tempo querendo mochilar por aí - Disse com
um olhar sombeteiro.
- Sabe que sempre vai ter seu quarto na nossa casa, né?
- Conto com isso! Pra onde acha que eu vou correr quando der tudo errado? - Abraçados, foram para perto do videokê cantar uma música juntos.

Depois de dançar uma música com a Sara, sentou-se cansado num canto perto da mesa de bolo.
- Será que eu posso me sentar aqui?
Ele tremeu ao ouvir aquela voz tão familiar. Parecia não ter mudado nada desde a última vez em que haviam se falado.
- Claro - Disse ele sorrindo e levantou-se para abraça-la - Você está simplesmente linda! A Universidade fez milagres em você, sardenta! - E rindo, sentaram-se.
- Você também está bem melhor! O cabelo mais curto fica bem em você - Ela disse bagunçando o cabelo armado de gel dele.
Desviando das mãos dela ele gritou:
- Vai estragar meu penteado! - E rindo, os dois ficaram abraçados durante alguns segundos.
- Senti a sua falta -
Ela disse por fim - Onde está a felizarda que te roubou de mim? Sua carta fez uma propaganda tão boa dela que eu esperava conhecê-la.
Muito sem graça ele respondeu:
- Ela não pôde vir. Está viajando com os pais. Um problema com alguns parentes - Ele tremia a voz diante da mentira.
- Hum - Ela disse - Que pena, eu gostaria realmente de conhecê-la. Mas me fale o que tem feito nesses últimos meses? Pouco nos falamos. Conte-me tudo!
- Não, minha vida não mudou desde a última carta. Você é que deve estar cheia de novidades, e vai me contar todas agora.

A tarde passou e veio a noite. A maioria dos convidades já tinha ido embora. Julián e Lizzy ainda riam alto e conversavam como se jamais tivessem passado tanto tempo separados. Decidiram sair para caminhar assim que perceberam que já começavam a arrecadar voluntários para começar a limpar o salão da igreja agora quase completamente vazio.
Rindo muito,
sentaram-se num banco da praça perto da igreja.
- E quantos dias vocês vão ficar? - Julián perguntou ansioso.
- Vamos embora amanhã - Ela disse tristemente - Meu pai volta a trabalhar e eu tenho aula na segunda-feira bem cedo.
- Que pena - Ele disse desviando o olhar.
- Acho que meus pais já devem estar chateados. É melhor eu voltar para o hotel. Me acompanha? - Ela perguntou ansiosa.
- Claro - Ele disse levantando-se e lhe oferencendo o braço. Caminharam em silêncio durante alguns minutos e quando se aproximaram da entrada do hotel, ela se virou para ele:
- Saber que você está namorando e me esqueceu me deixou muito triste - Ela disse fazendo um bico.
- Hum - Ele engasgou - Eu não estou namorando. Eu menti!
- Eu sabia! - Ela declarou triunfante - Você sempre foi um péssimo mentiro Sr. Julián!
Rindo do ar t
riunfante dela, ele a abraçou com força. Tentou beijá-la, mas ela recuou.
- Julián, não!
- Mas você acabou de dizer...
- Eu sei o que eu disse. Mas minha tristeza não quer dizer que as coisas vão voltar a ser o que eram. Eu sei muito bem o que se passou na sua cabeça nesses últimos meses. Nós nos afastamos gradativamente, você se afastou de mim por causa da minha faculdade, dos meus novos amigos...
Ele se afastou dela de forma defensiva.
- Então não entendo porque voltou! E principalmente não entendo o porquê disso tudo que aconteceu nessa noite! Você só tornou tudo mais difícil.
- Eu quero que sejamos amigos de novo, como aconteceu essa noite! Sem outras expectativas.
- Se era isso que você queria, fez tudo errado. Você pelo jeito sabe que eu não consegui te esquecer. E não é só amizade que espero de você!
- Mas você nunca soube lidar com a distância. Eu sei que mesmo que firmemos outro
compromisso aqui e agora, vai acontecer tudo de novo.
- Então por que voltou? Por que isso tudo? Eu estava conseguindo superar. Você acha que depois de hoje vai ser tudo mais fácil?
- Eu pensei que podiamos conversar e sermos apenas os bons amigos que sempre fomos...
- Pois pra mim a coisa não funciona assim! Bem, aí está uma coisa boa nisso tudo! Todas as minhas esperanças acabam aqui. Só me prometa que não vai me procurar mais, ok?
- Mas...
- Sem 'mas'! Apenas vamos seguir nossas vidas...
E virando de costas, começou a caminhar de volta para o salão com o rosto molhado de lágrimas, enquanto Lizzy permanecia em pé na frente do hotel com um olhar distante.



CONTINUA

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

[o sonho] [FINAL] 1ª parte

Como o final ficou um pouco grande, resolvi postá-lo em mais de uma parte pra leitura não ficar cansativa. Mas prometo que não vou demorar a postar o restante, ok? =D


Acordou num susto!
O corpo suado e os olhos ainda meio doloridos. Olhou o relógio do celular e ao constatar que ainda estava muito cedo, recostou novamente a cabeça no travesseiro, jogando o edredom de lado no chão e encarando o teto. Começou a refletir no sonho que tivera. Não se lembrava de detalhes, mas sabia que mais uma vez era sobre a Lizzy. Sempre com ela, sobre ela... Aqueles cabelos vermelhos dominavam sua mente desde tanto tempo que ele não conseguia se lembrar. Mas essa noite o sonho havia sido diferente. Uma dor chata no peito fazia-o lembrar que fora a ausência dela no seu sonho que lhe incomodora essa noite. Lembrou-se da carta que postara na tarde anterior para ela.

Esse último ano havia sido difícil e ao mesmo tempo interessante. As mensagens de celular, os e-mails, os telefonemas, as cartas perfumadas e as correspondências cheias de bobeiras apaixonadas haviam sido uma constante nos primeiros meses, rareando aos poucos, mas nunca deixando de existir. Apesar de não admitirem, cada um começou a seguir a vida sem o outro.
Assim que ela foi embora, a escola tornou-se um fardo pesado demais. Terminou o último ano do Ensino Médio sem grandes méritos e desesperado para se afastar daquele ambiente irritante e cheio de lembranças ruins.
Contra a vontade de seu irmão e da própria Lizzy, pois ambos queriam que ele tentasse uma Universidade, ele começou a trabalhar num restaurante do Centro à noite e durante o dia, quando não estava dormindo, começou a dar algumas aulas particulares de violão e guitarra. Seu dia-a-dia era tedioso e sem grandes mudanças.

Com Lizzy as coisas haviam ocorrido de uma maneira diferente. Assim que se mudou, por causa de suas boas notas, conseguiu uma vaga em um dos melhores colégios de São Paulo. Fora um ano corrido e cheios de expectativas para ela, principalmente no que dizia respeito ao vestibular. As conversas com ela logo começaram a irritá-lo. Vê-la avançar enquanto sua vida continuava estacionada era decepcionante. Queria fazer algo para merecer a companhia dela, algo do qual ela tivesse orgulho. Mas quanto mais pensava, mais desmotivado parecia ficar. Ela fizera novas amizades e a aprovação no vestibular logo no começo do ano o alegrara e o afastara instintivamente. Passou a não atender mais o telefone, respondia as mensagens de celular de maneira cada vez mais seca e evasiva. Logo a distância tornou-se mais real quando ela desistiu de insistir.
Quando se deu conta, estava chorando, molhando o travesseiro. No seu sonho ela desistira de vez dele.

As semanas seguintes foram as mais difíceis que ele enfrentou. A notícia do casamento do seu irmão pegou-o de surpresa e o desestabilizou completamente. Mesmo com a insistência de seu irmão para que ele morasse com ele e a Sara depois do casamento, Julián sabia que não era isso que queria pra si mesmo e nem para seu irmão recém-casado.
A confirmação da vinda da Lizzy e sua família (seu irmão os convidou sem nem mesmo consultá-lo) para o casamento conseguiu deixá-lo ainda mais assustado com o que o futuro guardava para ele, principalmente depois da carta que ele mandara para Lizzy contando do suposto 'namoro' que ele começara com uma jovem novata na cidade.

Três meses passaram num sopro e logo se viu diante do espelho fazendo a barba com uma longa lâmina que pertendera ao seu pai. Faltavam apenas algumas horas para o casamento.
Sobre o vaso sanitário ele ainda via brilhar no celular a mensagem de texto:

"CHGUEI! ESTAMOS EM UM HOTEL NO CENTRO! NOS VEMOS ANTES DO CASAMENTO? LIZZY"

Olhando para o espelho, contemplou durante alguns segundos o smoking pendurado na parede. Olhou para a lâmina e depois desviou seus olhos para as cicatrizes já quase desaparecidas dos seus pulsos. Sentou-se na beira do vaso e ficou contemplando o brilho da lâmina refletindo a luz da lâmpada do banheiro.

CONTINUA

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

[o sonho] 6ª parte

- Apenas feche os olhos e confie em mim! - Disse Lizzy segunrando o braço de Julián e empurrando-o.
- O que vc está aprontando? - Ele perguntou sorrindo.
- É uma surpresa! Então se eu contar perde totalmente a graça! Então cale-se e simplesmente caminhe - Disse ela empurrando-o com mais força, mas sem largar seu braço, guiando seu caminho.
- Tudo bem, tudo bem! - Ele disse rindo, levantando os braços numa posição de rendição.
- Você é uma gracinha! - Lizzy disse dando um beliscão leve na cintura dele.
- Ow! Isso doeu! - Disse ele se contorcendo e fazendo cara de vítima, mas ainda de olhos fechados. Os dois riram e continuaram caminhando, agora em silêncio.
Julián pegou a mão de Lizzy e apertou-a, ainda deixando-se levar por ela. Ele sorria enquanto pensava na últimas semanas. Cada segundo que passaram juntos desde o dia da chuva havia sido mágico e intenso. Mesmo com a constante sombra de uma despedida, ele não se arrependia de nenhuma das atitudes que tomaram. Aquele segundo 'primeiro beijo' havia acabado com todas as suas dúvidas. Tudo que ele sabia era que queria estar com ela o máximo de tempo que pudesse.
- Pronto - Disse ela soltando-o e parando em sua frente. E dando-lhe um beijo, disse - Pode abrir os olhos.
Assim que abriu os olhos, viu o sorriso mais lindo do mundo emoldurado pelos cabelos vermelhos soltos balançando ao vento e por um instante não pode desviar seu olhar daquele rosto.
Aos poucos percebeu que estavam perto da mesma árvore onde haviam se encontrado pela primeira vez. Lizzy havia estendido uma colcha vermelha sobre a grama e carregava uma enorme cesta.
- Piquinique? - Ele perguntou sorrindo.
- Também! - Ela disse sentando-se na colcha arrumando o vestido sobre as pernas - Também!
Ela chamou-o com um sorriso e ele deitou-se pousando a cabeça em seu colo. Ela olhava-o sorrindo e afagava seus cabelos suavemente.
- Assim vou acabar dormindo - Ele disse rindo para ela.
- Eu fiz algo para você!
- Doce de banana? - Ele perguntou com um risinho maroto.
- Não! - Ela disse batendo em seu ombro. Mas puxando a cesta, tirou de lá uma vasilha plástica cheia de pequenas barras de doce de banana.
- Ah! - Ele sorriu esticando a mão.
- Agora não! - Ela disse - Primeiro tenho algo para te mostrar, mas você tem que prometer que não vai rir de mim. - Disse ela seriamente.
- Nunca - Disse ele cruzando os dedos sobre os lábios!
- Então feche os olhos novamente, senão acho que não tenho coragem! - Disse ela ainda muito séria.
- Estou ficando com medo - Disse ele rindo, mas fechando os olhos rapidamente. Depois de alguns segundos de silêncio ele pode ouvir uma voz suave cantando uma canção.

Você me fez sorrir com suas confusões
Me brindou com a doçura de sua voz
E pelos acordes de seu violão
Eu pude alcançar a tristeza do seu ser.

O seu olhar distante, de mim se aproximou
E me mostrou um mundo além
Além da minha infância, além da sua dor
E me mostrou quem eu gostaria de ser.

Me deixa te levar como meu espelho

Como meu caderno de recordações
E deixa que eu fique perto de você
Como a foto sorridente na carteira.

E então eu serei muito mais feliz

E jamais esquecerei que nem os anos
Nem a maior de todas as ditâncias
me fará perder o caminho
Seja meu farol, e continue a brilhar
Para que um dia eu posso em sua luz me guiar
E mais uma vez em seus braços me entregar.

Seja a minha voz e faça nossa história ressoar...

Ainda com os olhos marejados, ele a viu sorrir timidamente com um envelope em suas mãos. Agarrando-a pelos pulsos, levantou-se com ela nos braços e a beijou demoradamente. A tarde passara rapidamente e o sol já começava a se esconder.
Ele a tinha nos braços, aquecendo-a do vento frio do final da tarde. Assim permaneceram até que o último raio de sol se desfez no horizonte e o brilho das estrelas tornaram-se mais fortes.

Sem palavras, ela levantou-se e deixando-o sentando, caminhou em direção a árvore.
Ao seu lado ele achou o envelope. Ele continha uma foto de uma linda menina sorridente numa praia. Junto da foto, a letra da canção, que ela cantara, escrita à mão. Ele guardou o envelope no bolso e levantando-se foi até onde ela estava.
Ela olhava para o local onde ele, com um canivete havia desenhado as iniciais dos seus nomes no caule da árvore. Abraçando-a por trás sussurou-lhe:

- Você me devolveu a vida!
Virando-se para ele, e tomando sua mão, ela sorriu:
- E você me ensinou a viver!
E juntando as coisas no chão eles caminharam de volta para casa.

...

Olhou para o carro descendo a rua até desaparecer, então sentou-se na calçada, olhou para a casa agora vazia com uma placa de "VENDE-SE" na grama e não pode deixar de sentir uma forte dor no peito.
Ainda demorou alguns minutos antes de levantar e começar a caminhar de volta para sua casa. Quando estava chegando no portão da sua casa sentiu o celular vibrar e ao abrir a mensagem de texto, não pode deixar de sorrir:

"NADA DE CORTAR OS PULSOS, EINH? AMO VC, MAS SE FIZER BESTEIRA DE NOVO, SE NAUM CONSEGUIR MORRER, EU VOLTO AQUI SOH PRA TERMINAR DE MATAR VC! =*"


E rindo, entrou em casa digitando uma resposta:

"SE ISSO FIZER VC VOLTAR, PODE PEDIR PRO SEU PAI DAR MEIA VOLTA QUE JAH ESTOU COM A FACA DE CARNE NAS MAOS, MAS ELA TÁ MEIO CEGA, RS... TB AMO VC!"

E ainda rindo, entrou em casa e fechou a porta.



CONTINUA


[Próximo post, o final da história! Espero que vocês estejam gostando! Abração para todos! ;D]