26 fevereiro 2010

[novo template]


estou testando alguns templates...
atrás de uma nova cara para o meu bLog!
fiquem de olho e não estranhem...
acho que vou mudá-lo quase todos os dias até achar um realmente legal! ;D

semana extremamente corrida! em breve me organizo e volto a postar!

abraços para todos!

20 fevereiro 2010

[o primeiro dia]

Eles o cercaram. Tinham os olhos imensos e escuros. As mãos como garras seguravam o que ele imaginou serem lápis e canetas gigantes. Eram dezenas, suas bocas escancaradas salivavam de fome enquanto se aproximavam dele. Ele estava indefeso e de repente viu-se completamente nu. Estava de costas para o quadro negro, cobrindo suas vergonhas com a mão direita e com a outra arranhava o quadro desesperadamente na esperança de que pudesse se fundir à ele...

Acordou exasperado e totalmente molhado de suor. O lençol e o travesseiro estavam no chão e ele sentia uma grande dor no pescoço e nas costas. Sentou-se no meio da cama de casal e olhou para relógio despertador sobre a cabeceira. Faltavam apenas cinco minutos para a hora que havia marcado para despertar. Ainda estava escuro. "Maldito horário de verão". Deitou-se exausto. Esperou os cinco minutos e então levantou-se desanimado e foi tomar um banho.
Não conseguia comer, então tomou apenas um copo de água e foi arrumar as coisas na mochila.
Quando saiu de casa, estava frio, mas apesar disso ele suava por baixo do casaco aberto.
Caminhou para a parada apressadamente, mas ainda longe da esquina viu o ônibus passar acabando com suas chances de chegar no horário. Diminuindo o passo, tirou o MP4 de dentro da mochila e colocou os fones, aumentado o volume ao máximo.

Suas mãos tremiam quando entrou! A camiseta molhada de suor incomodava, então fechou o zíper do casaco até o peito, apesar do calor, para disfarçar.
Estava lotada, e mesmo de cabeça baixa, podia ver, por de trás dos óculos de grau, uma infinidade de adolescentes que naquele momento para ele ainda pareciam monstros prestes a devorá-lo! Tudo aparentava ser maior e mais amedrontador do que na época em que estava do outro lado.
Dirigiu-se vacilante para a mesa retangular no centro da sala de aula e tirando a mochila das costas, colocou-a sobre a cadeira.
Observou um grupo de rapazes olhando-o com curiosidade e depois um grupo de meninas no canto da sala trocando bilhetinhos e rindo enquanto o mediam de cima à baixo.
Por alguns instantes permaneceu silencioso, aguardando que todos se sentassem. Foi até o quadro, apagou alguns desenhos ofensivos do canto esquerdo e partindo um giz ao meio, escreveu uma frase entre aspas, e virando-se para a turma disse erguendo os olhos com um meio sorriso nos lábios:
- Bom dia!
Realmente não esperava resposta. Aguardou que alguns que ainda estavam de pé sentassem. As conversas continuam animadas no 'fundão'.
Batendo a mão aberta no quadro negro, levantou algum pó, silenciou os alunos que ainda conversavam e conseguiu uma dúzia de olhares arregalados.
- Meu nome é Austolfo, seu novo professor de matemática.
Ao pronunciar seu nome, não pode deixar de engolir em seco, irritado com as risadas abafadas e algumas não tão discretas.
Virando-se novamente para o quadro, suspirou e disse baixinho para si mesmo:
- E esse é apenas o primeiro dia! - E terminou de apagar o quadro.

17 fevereiro 2010

[alone] Final

Seu olhar me confundiu. Quando entrei no quarto não sabia ao certo o que faria ou como me sentiria, mas nem em todos os meus anos de vida eu estaria preparado para aquele olhar. Era um olhar vazio e sem vida. Inicialmente, permaneci parado ao lado da porta, esperando alguma reação por parte dela, mas os minutos passaram e o silêncio era cada vez mais constrangedor. Todo o carinho que eu nutria por ela ou até mesmo a raiva que eu sentira nas últimas horas simplesmente sumiram naquele instante. Eu conseguia ver em seu rosto uma apatia, a completa ausência de desejos, de sentimentos.
Me aproximei lentamente da cama e percebi quando Carlos fechou a porta e começou a conversar com os pais de Luísa, que me olhavam surpresos e desconfiados, levando-os para longe do quarto.
Quando cheguei ao seu lado, tudo que pude fazer foi abraçá-la. Ela encostou o rosto em meu peito e permaneceu nessa posição até que segurei-a pelos ombros e me sentei na cama ao seu lado.
- Eu tinha medo de te perder - suas palavras vinham como resposta ao meu olhar - Fui egoísta, eu sei... Mas... - nesse momento as lágrimas explodiram como uma tempestade de verão.
Eu esperei que ela se acalmasse, então quando o choro tornou-se apenas um soluço leve, eu disse:
- Eu não vou dizer que permaneceria do seu lado, eu estaria mentindo. Não sei o que eu teria feito se tivesse sido tudo diferente. Não sei se teríamos nos aproximado. Independente daquilo que você contou ou não, o fantasma do Pedro sempre estaria entre nós.
Ela escutava tudo em silêncio, de cabeça baixa.
- Eu não sou o Pedro. Ele morreu naquele acidente de moto - Nesse momento ela levantou o rosto assustada - E independente do que os outros digam, e principalmente do que você pensa ser verdade, a culpa não foi sua! Está na hora de você perceber que o mundo não gira ao seu redor, de acordo com as suas crenças. O sofrimento do mundo não é definido pelas suas atitudes. O meu sofrimento não foi só culpa sua. Você acredita mesmo que tirar a própria vida ia redimir os seus erros? Você acha que isso iria trazer Pedro de volta à vida ou mesmo fazer com que eu me sentisse melhor? Isso é simplesmente fugir, é uma atitude covarde de quem foga às responsabilidades. Você está tendo outra chance. O que vai fazer com ela? Vai tentar fazer o melhor, viver uma vida plena, sem esconderijos, assumindo riscos e tentando ser feliz ou vai continuar envolta em mentiras, permanecendo para sempre sozinha?
Nesse momento levantei-me e comecei a me afastar, deixando-a com um olhar atordoado.
- Você vai estar lá fora quando eu sair? - sua voz era esperançosa.
- Eu não sei! - eu disse secamente - Você vai ter que sair dessa cama para descobrir.
E virando as costas, abri a porta do quarto e me afastei, sentindo o coração apertado, contendo as lágrimas que ardiam em meus olhos.
Saí pelo corredor contrário e desci pela escada de serviço e fui em direção à minha casa pensando em como explicaria ter dormido fora sem avisar.
Enquanto descia a rua, o calor me obrigou a tirar a jaqueta. Amarrando-a na cintura, segui sentindo o sol queimar meu rosto e meus braços. Procurei esvaziar minha mente e caminhei sem pressa sentindo o suor escorrer.

Os dias passaram depressa. Eu não voltei ao hospital, não liguei para saber notícias, mas todos os dias esperava debaixo da mesma árvore na esperança de vê-la se aproximar.
Já fazia quase duas semanas desde o dia em que havíamos conversado no hospital. Eu esperei sentado na grama até ouvir o sinal tocar para o começo da primeira aula. Me levantei sem muita coragem e bastante triste. Quando comecei a me afastar, ouvi uma bicicleta se aproximar e quando ela falou, meu coração disparou:
- Ei, você pode me dizer onde fica a secretaria?
Eu me virei, e a vi sorrindo, montada numa bicicleta vermelha, com a perna apoiada na árvore.
- Desculpe, sou nova na cidade, deixe eu me apresentar - ela largou a bicicleta e se aproximou estendendo a mão e disse - Meu nome é Luísa!
Eu estendi a mão extasiado:
- Meu nome é Daniel!
- Muito prazer Daniel! Sabia que você se parece muito com uma pessoa que conheci!
- Sério? Com quem? - Minhas palavras saíam falhas e cheias de ansiedade.
- Era um grande amigo, aliás, um pouco mais ou bem mais que um amigo - Ela riu - Ele se chamava Pedro!
- Hun, que interessante - Eu disse mais à vontade - Conte-me mais sobre ele.
- Então me leve até a secretaria e enquanto isso a gente conversa.
- Claro - minha voz saiu mais animado do que eu gostaria.
Ela levantou a bicicleta, e caminhou ao meu lado, enquanto guiava a bicicleta vermelha. Fomos conversando, indo em direção ao estacionamento para deixar a bicicleta.
Ela ia falando com desenvoltura, animadamente e a cada instante meu coração ia se enchendo de alegria.
Eu estava feliz, mas não nutria grandes expectativas. Eu sabia que ainda era apenas um começo.
Mas tinha um diferencial: era um novo começo! Uma história diferente! Eu não sabia o final ainda, mas isso não importava. Continuei caminhando e ouvindo-a falar.
A gente acabara de se conhecer... De verdade!

FIM

03 fevereiro 2010

[alone] 8ª parte

De repente eu senti como se houvesse um buraco em meu peito. Eu não conseguia pensar. Tantas informações, tantas coisas não ditas, e agora simplesmente nada disso fazia sentido.
- O quê? Como assim hospital? O que aconteceu com ela? Ela está bem? - As palavras saíam atropeladas enquanto eu agarrava o braço de Carlos exigindo uma explicação.
- Ela está bem. Fique calmo. Agora está tudo bem - Disse Carlos com a voz firme e tranquilizadora.
- Mas o que houve? - Minha voz assumia um tom derrotado.
- Isso eu acho que ela mesma vai poder te contar. Acho que mais do que nunca vocês precisam conversar. Posso te dar uma carona - Ele disse enquanto se levantava indo em direção ao estacionamento.
Eu permanecia sentado olhando-o se afastar.
- Ainda pretende pegar o ônibus? - Ele me questionou - Porque se for, ele está saindo nesse exato momento.
Observei os últimos passageiros entrarem no ônibus para Passo Largo e enquanto o motorista fechava a porta, eu me levantei e acompanhei Carlos em direção ao estacionamento.
Permaneci em silêncio enquanto íamos em direção ao carro e entrei na porta do carona sem muita vontade.

O caminho para o hospital se estendeu durante apenas uns quinze minutos, mas que pareceram uma eternidade. Olhando pela janela, eu podia ver todos os meus anos de exclusão social, a morte da minha mãe, o alcoolismo do meu pai... Tudo tão claramente, tudo tão definitivo, tão certo... Pelo menos até o momento em que vi o rosto de Luísa pela primeira vez. Nada com ela parecia normal, dentro dos padrões. Era a primeira vez que alguém se aproximava mim apesar da minha aparência desleixada, carrancuda e de poucos amigos. Ela tão linda, tão meiga, tão viva...
Eu procurava entender, mas tudo parecia tão confuso, tão errado...
Pedro... Esse nome ainda me perturbava... Eu agora sabia que ele estava morto, mas toda vez que pensava em Luísa, era como se uma sombra com esse nome se colocasse entre nós. Pensei no que Carlos disse sobre nossa semelhança e meu peito se encheu de raiva... "Ela só se aproximou de mim por que sou parecido com ele..." Minha vontade era de descer do carro e ir embora, mas nesse momento, percebi que Carlos havia parado na entrada do hospital local.

Minha vontade era fugir dali, mas ao mesmo tempo sentia a necessidade de encontrá-la, de ouvir o que ela tinha para me falar. Quando desci do carro, percebi que não tinha coragem de entrar. Carlos me olhou e se aproximando, tocou meu ombro e disse:
- Ela tentou se matar Daniel!
Mesmo que eu vivesse cem anos eu jamais conseguiria descrever todas as coisas que se passaram pela minha cabeça e pela primeira vez eu não sabia o que o que fazer, dizer...
Meus olhos se encheram de lágrimas. Carlos sentou-se na calçada e me olhando disse:
- Senta aí, pô! Vamos dar um tempo por aqui, e quando você se sentir bem a gente entra.
Eu sentei e chorei sem me importar com quem estava perto ou talvez me olhando...

Assim que me aproximei do quarto, consegui ver pelo vidro que ela estava sozinha, sentada na cama olhando pela janela.
Respirei fundo e tomado de uma coragem inexistente abri a porta.

CONTINUA

[alone] 7ª parte


-Eu e seu pai realmente acreditávamos que estávamos fazendo o melhor para você! - Laura falava pausadamente, ainda sentada na cama ao lado de Luísa.
- Mas como vocês saberiam o que era o melhor para mim? Vocês nunca me ouviram! - a voz de Luísa saiu um pouco mais alta do que ela gostaria, então se calou.
- Eu sei! Mas você tem que tentar entender nossa posição em toda aquela situação. Você ia fugir com aquele rapaz...
- Ele tem nome mãe! Pedro era o amor da minha vida! Vocês nunca respeitaram minha opinião. Sempre que tentei me abrir com vocês, como quando contei sobre nosso namoro, sua única reação foi de me mandar embora para a casa dos meus tios. Nunca houve conversa, apenas as decisões de vocês que eu deveria acatar sem nem questionar. Eu não podia fazer isso de novo.
- Se você talvez não tivesse insistido naquela idéia talvez ele ainda estivesse vivo...
- Não! Não vou mais me culpar por isso! Não vou deixar você jogar esse joguinho novamente comigo - Disse essas palavras tentando se levantar da cama.
- Espere! Me perdoe - Laura parecia angustiada - Não se levante. Você tem que ficar de repouso - segurando o braço da filha, até que ela se acalmou novamente, acrescentou - Eu sei que erramos, mas vamos tentar mudar essa história. Apenas nos dê mais uma chance para tentar acertar com você.

...

- Ele morreu antes de chegar no hospital - Carlos disse - E ela o esperou até de madrugada numa clareira perto da estrada. Eu ajudei a procurá-la. Quando a encontramos, ela não queria sair daquele lugar. Tive que contar para ela que ele estava no hospital...
Daniel ouvia tudo sem pronunciar nenhuma palavra. Sua mente parecia viajar na história que Carlos contava.
- Eles foram para o exterior durante quase um ano. Luísa foi encaminhada a diversos psicólogos. Vivia na base de remédios, sem quase falar com ninguém. Quando surgiu a chance de abrir uma filial da empresa aqui na cidade, tio Jorge achou que seria uma boa oportunidade para voltarem para o Brasil e tia Laura concordou. E foi assim que eles chegaram aqui, esperando que os novos ares pudessem ajudar Luísa a se recuperar. Até o retorno para a faculdade ele providenciou. Não imagina o susto que eu levei quando Luísa me ligou algumas semanas atrás dizendo que "Pedro havia ressuscitado para dar-lhe mais uma oportunidade...". Não posso negar a enorme semelhança entre vocês...

...

Dr. Laerte olha o prontuário de Luísa com atenção:
- Você teve sorte mocinha, apesar de sua melhora, eu quero que passe mais uma noite aqui sob observação e talvez amanhã pela manhã já possa ir para casa.
Jorge estava sentado perto da cama, olhando para a filha. Laura havia saído para comer alguma coisa e os dois ficaram em silêncio depois que o médico saiu.
- Será que um dia você vai nos perdoar? - a voz de Jorge era grave e firme, porém seus olhos pareciam cansados e envelhecidos.
- Eu não sei - foram as únicas palavras que Luísa pronunciou.
- Acho que fizemos tudo errado, não é? - depois de alguns segundos acrescentou - Me perdoe minha filha...
Luísa olhou para o pai sempre firme, duro, cheio de si... Agora de repente envelhecido, abatido.
- Sempre é hora de recomeçar... Eu também nunca fui a filha perfeita - disse Luísa sorrindo.
Seu pai levantou e se aproximou da cama com lágrimas nos olhos, a abraçou.
Do lado de fora do quarto Laura acompanhava a conversa perto da porta comovida.

...

- Ela me ligou e me contou que você estava desconfiado. Ela estava com medo que você descobrisse alguma coisa e estava arrependida de ter se aproximado de você sem contar toda a verdade. Ela não sabia o que fazer... Então me chamou para ajudá-la. Queria afastá-lo dela, antes que, segundo ela, você se machucasse como Pedro - Ele deu uma pausa e então disse - Eu tentei fazer com que ela contasse a verdade, mas ela achava que era tarde demais. Então ela teve a idéia do namoro.
Daniel parecia incomodado, mas não disse nada, e por um momento olhou para a plataforma na qual se aproximava o seu ônibus.
- E o que ela vai fazer agora? O que ela quer que eu faça? - Sua voz tinha raiva e ressentimento.
- Isso só ela vai poder te responder.
- E onde ela está?
- No hospital.
- Como assim? O que aconteceu? - perguntou Daniel com o olhar alarmado.

CONTINUA

01 fevereiro 2010

[Brick By Boring Brick] Paramore

Já sou completamente fascinado por Paramore, mas dessa vez fiquei um pouquinho mais... rs
Um linda canção e um clipe simplesmente belíssimo, na minha humilde opinião! *.*
Valeu pela dica Lê! =D
Fica aí o clipe e tradução para vocês curtirem!
Abração e em breve eu posto a continuação da história! xD



-->Ela vive num conto de fadas
Em um lugar muito longe para nós encontrarmos
Esqueceu o gosto e o cheiro
De um mundo que ela deixou pra trás

É tudo sobre a exposição.
As lentes
Eu disse a ela que os ângulos estavam todos errados
Agora ela está tirando asas de borboletas

Mantenha seus pés no chão
Quando sua cabeça estiver nas nuvens

Vá buscar a sua pá
E nós vamos cavar um buraco fundo
Para enterrar o castelo

Então um dia ele a encontrou chorando
Encolhida no chão sujo
Seu príncipe finalmente veio salvá-la
E o resto você pode compreender

Mas era um truque e o relógio soou 12 horas
Bem tenha certeza de construir sua casa
Tijolo por tijolo entediante
Ou os lobos vão derrubá-la

Mantenha seus pés no chão
Quando sua cabeça estiver nas nuvens

Vá buscar a sua pá
E nós vamos cavar um buraco fundo
Para enterrar o castelo

Você construiu um mundo mágico
Porque sua vida real é trágica

Se não é real, você não pode parar com suas mãos
Você não pode sentir com seu coração
E não vou acreditar
Mas se é verdade você pode ver com seus olhos
Até na escuridão
E é onde eu quero estar

Vá buscar a sua pá
E nós vamos cavar um buraco fundo
Para enterrar o castelo