
sempre tive medo das mudanças... elas sempre vieram para me tirar do controle, para mudar minhas certezas e para tirar-me de uma zona de tranquilidade.
por mais que eu as tenha buscado com cautela, elas chegaram sem avisar e corromperam meu mundo estrategicamente desenhado.
elas vieram sorrateiras e puxaram toda minha cobertura, deixando-me nu diante de olhos desconhecidos.
elas me tiraram do seio familiar e jogaram-me em um turbilhão desconhecido, em posição de defesa, mas sem armas, com as mãos nuas e desprotegidas.
e assim eu recomecei, tudo de novo, mais uma vez...
e mais uma vez, eu, como bom ser humano que sou, tornei-as [as mudanças] em marasmo de mesmice... e o que era perturbação virou sinônimo de pasmaceira...
hoje já não as temo mais [as mudanças], mas as desejo com toda a paixão da minha alma... que a falsa tranquilidade que me cerca venha dar lugar para as constante mudanças que me agitam o ser e que me fazem tremer e perceber o valor do silêncio e da boa noite de sono...
que eu não perca a vontade de me mover, de correr, de sofrer, de amar, de chorar, de estudar, de cantar... e principalmente de mudar... pois nada mais encantador há no homem do que a constante inconstância no viver...
que eu aprenda a valorizar as mudanças antes dos maus dias, onde a rotina encobre a felicidade de buscar o novo, de quebrar as regras, de questionar, de transformar, de se transformar...
que venham as mudanças... enquanto o sopro leve da juventude ainda não se findou em mim...
[experiências de um jovem velho sonhador para uma velha jovem amiga de longe...]
