30 julho 2009

[o curioso caso de Benjamim Button]

"Se é que a minha opinião importa, nunca é tarde demais, ou no meu caso, cedo demais, para ser quem você quer ser. Não há limite de tempo. Comece quando quiser. Mude ou continue sendo a mesma pessoa. Não há regras para isso. Pode tirar o máximo proveito ou o mínimo. Espero que tire o máximo. Espero que veja coisas surpreendentes. Espero que sinta coisas que nunca sentiu antes. Espero que conheça pessoas com um ponto de vista diferente. Espero que tenha uma vida da qual se orgulhe. E se não se orgulhar dela, espero que encontre forças para começar tudo de novo."
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Esse trecho do filme "O Curioso Caso de Benjamim Button" ficou na minha mente desde a primeira vez em que o vi. Senti muita vontade de compartilhá-lo com vocês e indicar o filme para quem ainda não teve a oportunidade de assisti-lo. Já o assisti diversas vezes, e admito que não deixei de me encantar e de me surpreender em cada uma delas. Vale a pena pela história, que é uma belíssima adaptação do conto de F. Scott Fitzgerald, além, é claro, das ótimas atuações e da beleza das imagens.
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27 julho 2009

[Quem entende?]

Quem entende o rumo que as coisas tomam na vida da gente? Uma simples decisão, como pegar uma rua ao invés de outra, num percurso que fazemos todos os dias, pode acarretar uma série de fatos que mudam sua vida para sempre.

Uma noite qualquer, alguns anos atrás...

Quando as palavras saíram de sua boca, ele tinha certeza que nunca mais poderia voltar atrás. Ele podia ouvi-la dizendo: "Tem certeza?" numa voz de choro. A sua mente gritava "NÃO!" enquanto seus lábios esboçaram um "SIM" falho e incerto. Mas foi tudo que ela não aguentou ouvir. A viu partir correndo, e naquele instante soube que perdera tudo.
Por um instante não sabia para onde ir, que direção tomar. Queria apenas se encolher e deixar a dor tomar conta de todo o seu interior. Queria ser machucado, queria sofrer. Mas então aconteceu: NADA! Seu interior era como um grande vazio. Procurou em todas as partes do seu ser algo para se agarrar, mas tudo que encontrou foi um imenso vazio no qual parecia nadar. Um mar de leite, denso, dificultando os movimentos e a respiração. Era como se tivesse uma imensa bigorna de desenhos animados pressionando seu peito. E naquele instante ele soube que ela jamais sairia de lá. Aquele peso o acompanharia. Quando abriu os olhos, percebeu que já passara mais de três horas. Levantou da calçada sem pressa e caminhou para casa. Não havia lágrimas, não havia palavras, apenas o peso. Como uma coisa tão linda se tornara um peso?

[...]

Já se passaram anos, e foi fácil se acostumar com o peso. Outros pesos foram acrescentados. Para ele, os pesos de tantos anos acumulados faziam parte dele, algo tão natural e tão presente, que algumas vezes chegavam a passarem completamente desapercebidos. Até agora.
Quando desligou o telefone, estranhou. Ligou o computador. Leu o e-mail. Desligou o computador. Percebeu finalmente que poderia passar uma eternidade, aquela noite jamais seria apagada do seu ser. Como lembrou um amigo: O amor pode ser algo difícil. Ele nunca acaba, gosta apenas de se esconder do mundo, das vistas, e por conveniência, ele se anula e se transforma no peso que agora ele carrega.
Hoje o peso está mais perceptível, mais consistente. Espero que um dia esse peso se torne uma parte tão pequena do seu ser, que ele nem se lembre mais. Para seu próprio bem. Mesmo sabendo que é impossível esquecer, espero que ele consiga seguir. No final das contas, ele tem outros pesos para carregar. Já são muitos. Tem as mãos ocupadas por eles.

[...]

Um dia caminhando, ele viu a felicidade na beira do caminho, um pequeno embrulho colorido na beira do caminho. Ficou encantado com a beleza dele, e o desejou mais do que tudo. Porém tinha as mãos tão cheias, tão carregadas de pesos, que não poderia apanhar o embrulho, apesar de ele ser pequeno e aparentemente leve. Olhou para os pesos em suas mãos, e depois para o embrulho. Levantou então a cabeça e seguiu em frente, com seus pesos, deixando sua felicidade, embrulhada para presente, para outra pessoa qualquer. Às vezes ele olhava para trás. Viu quando outra pessoa a apanhou. Continuou seu caminho, mas não sem olhar para trás. Ele acrescentou outros pesos a sua bagagem depois, mas deixou a felicidade no caminho. Por que? Pergunte para ele, apesar de achar que nem mesmo ele sabe responder.