21 janeiro 2014

[sobre escrever, mais uma vez...]

Tem momentos na vida em que escrever é um prazer a que nos dedicamos com avidez, pelo simples fato de que muitas vezes as palavras escritas são a melhor válvula de escape para os sentimentos que nos atormentam de maneira desesperadora! Ao invés de gritos e lágrimas sentidas, era no teclado do computador que eu derramava toda a minha angústia.
Na contracapa de um livro do Rubem Alves, lemos as seguintes palavras:

"A ostra, para fazer uma pérola, precisa ter dentro de si um grão de areia que a faça sofrer. Sofrendo, a ostra diz para si mesma: 'Preciso envolver essa areia pontuda que me machuca com uma esfera lisa que lhe tire as pontas...' Pessoas felizes não fazem pérolas... Pessoas felizes não sentem a necessidade de criar. O ato criador, seja na ciência ou na arte, surge sempre de uma dor. Não é preciso que seja uma dor doída... Por vezes a dor aparece como aquela coceira que tem o nome de uma curiosidade. Este livro está cheio de areias pontudas que me machucaram. Para me livrar da dor, escrevi."

Sempre compartilhei desse pensamento, pois sei que de todas as coisas que já escrevi em minha vida, muitas delas compartilhadas neste blog, a grande maioria é fruto de uma insatisfação, de uma verdadeira dor que constantemente assola a minha alma.
Escrever era a forma que eu encontrei de expressar, de maneira direta ou velada, através dos meus contos, tudo que inquietava a minha mente.

Mas já faz um ano, mais ou menos, que as palavras simplesmente me escaparam. Escrever passou a ser uma tarefa árdua, cujos frutos muitas vezes eram para mim tão insatisfatórios, que poucas foram as coisas que realmente tornaram-se dignas de serem compartilhadas, ou mesmo, que tivessem um destino diferente da lata de lixo. A dor continua aqui, e na garganta eu tenho um constante grito engasgado, uma necessidade de me expressar que não encontra vazão em nenhum outro lugar. Tudo que posso fazer é simplesmente engolir seco e com um sorriso no rosto, continuar minha vida perdido em meio aos meus livros, vivendo num mundo de fantasia e aventuras que eu mesmo gostaria de ter vivido.

Trinta anos se passaram e sinto que simplesmente nada mudou. Olho ao redor e vejo tudo diferente, é claro. Não sou cego diante de tudo que aparentemente conquistei. Porém, por dentro, a imagem que construí de mim mesmo continua intacta, emoldurada pelas mesmas dúvidas e anseios, ainda esperando desesperadamente por uma resposta divina para as mesmas questões do adolescente de 15 anos atrás.

Um dia será diferente? Não sei dizer. Tudo que sei é que preciso dessas linhas para descansar, esvaziar a mente e tentar finalmente dormir, depois de tantos meses lutando com o travesseiro em busca de paz, na esperança de que de Deus ouça meu clamor e abrevie sua volta.

"tenho te pedido coisas, canais banais pro meu viver, mas este mundo é passageiro, quero viver para Ti... minha alma está pronta pra subir, oh vem, Senhor, vem me buscar... já estou cansado desse mundo aqui... volta!"