Acordou com dificuldade em abrir os olhos. Uma imensa luminosidade branca enchia o quarto. Seu estômago doía, e quando tentou se mexer, teve que recolher as pernas ficando de lado, numa posição semelhante à um feto, por causa da imensa dor que sentia no estômago. O fio do soro ligado na veia em seu braço puxou e lhe causou um certo desconforto.
De primeiro não conseguia lembrar-se de como tinha chegado até ali, mas não demorou muito para que os últimos acontecimentos lhe voltassem à mente como uma torrente. Cobrindo o rosto com o lençol, começou a chorar baixinho.
Quando ouviu a porta do quarto abrir, descobriu o rosto e viu sua mãe entrar no quarto com profundas olheiras no rosto e um copo de café na mão. Ela se aproximou lentamente olhando para filha com um olhar cansado e cheio de culpa. Quando ela sentou-se ao lado da cama, numa cadeira aparentemente bem desconfortável, tocou o rosto de Luísa carinhosamente.
- Se você estiver se sentindo melhor, gostaria de conversar, mas apenas se você quiser - as palavras de Laura saiam pesadas e cheias de dor.
- Eu acho que sempre quis ter essa conversa - com essas palavras Laura e Luísa começaram a chorar.
Laura sentou-se ao lado da filha na cama e colocando a cabeça dela sobre seu colo, começou a passar os dedos pelos seus cabelos.
- Odeio você! - Luísa gritava, e passou batendo a porta do quarto com muita raiva.
Laura entrou no quarto logo depois e com uma voz calma e sem emoção jogou sobre a cama dela alguns papéis e disse:
- Arrume suas coisas. Coloque apenas o que você acha essencial. Sua viagem está marcada para às 18h - E virando as costas, saiu do quarto sem fechar a porta.
Com muita raiva Luísa correu e mais uma vez bateu a porta. Com lágrimas nos olhos, foi até a mochila e pegando o celular, discou um número apressadamente. Chamou apenas uma vez, quando a voz preocupada de um rapaz atendeu:
- Luísa, finalmente. Eu já estava ficando louco. Já estava me aprontando para ir na sua casa agora mesmo.
- Me encontre daqui a uma hora no lugar de sempre - a voz dela era ansiosa.
- Está tudo bem?
- Apenas esteja lá pronto para irmos embora!
- Estou saindo de casa agora mesmo!
- Eu amo você! - Ela desligou o telefone sem nem esperar a resposta de Pedro. Começou a jogar algumas roupas na mochila e pegando o dinheiro debaixo do colchão, começou a pensar em como sair de casa sem ser vista.
CONTINUA