
Pensei diversas vezes em como escrever esse texto, e em até 'porquê' escrevê-lo, e no tempo em que passei sem postar, iniciei-o diversas vezes, e todas foram gradativamente descartadas.
Hoje resolvi escrevê-lo para os meus amigos, para os realmente de longe, para os momentaneamente distantes (somente fisicamente) e para todos aqueles que ainda não viram as estrelas e não 'enxergaram' além delas.
As pessoas olham as estrelas pelos motivos mais diversos (alguns até engraçados), mas eu aprendi com um amigo a olhá-las como uma forma de vencer distâncias.
Antes de aprender isso, percebi que dificilmente olhava as estrelas e quando olhava, não as via de verdade. Aprendi que se soubermos exatamente para onde olhar, como olhar e partilharmos isso com alguém, não existe distância que permaneça diante de nós. Ela se desfaz como num 'passe de magia'.
Mas pra que essa magia ocorra, é preciso abandonar o ativismo por alguns instantes. É preciso confiança e crença, nas pessoas e em si mesmo. É preciso se despir do olhar crítico e cético que muitas vezes envergamos durante todo o dia. Confiar em quem partilha da sua amizade. Acreditar que a outra pessoa, assim como você, vai parar, nem que seja por alguns segundos, para ver as estrelas de verdade e deixar que elas nos abram os caminhos que desmancham os 'quilômetros', e que fazem dos 'metros' meros 'centímetros'.
Certo dia voltando da faculdade, eu caminhava sem muita pressa, olhei pro céu e tive a sensação de alguém olhando para mim. Primeiro, aquele senso de autopreservação: todos os lados espiados, procurando alguém nas ruas (quem sabe um ladrão, talvez). Mas estava tudo tão deserto e silencioso que poderia até mesmo amedrontar. Depois de mais uma observação rápida do local, e ainda com a sensação de estar sendo observado, olhei novamente para o céu. Tudo que pude fazer foi sorrir. Continuei caminhando com um único pensamento: "Acho que alguém lá em cima tá tentando usar meu joguinho de olhar as estrelas para quebrar as distâncias que eu mesmo construí."
Esse foi um (re)convite de confiança e de amizade, muitas vezes deixado de lado com meu ativismo, comigo olhando para cima, verdadeiramente vendo as estrelas, mas esquecendo de tentar enxergar além delas... Para Ele.
Resolvi escrever esse texto acima de tudo porque percebi que esse convite para enxergar além não foi só pra mim.
Olhe. mas não só olhe, veja. Veja, e se não conseguir enxergar além, não desista de primeira, tem alguém sempre pronto pra te ensinar.