19 setembro 2009

[O sonho] 1ª parte

Acordou assustado, o grito ainda ecoando pelas paredes vazias do quarto. Suas mãos frias e suadas amparavam o rosto desfigurado de dor. Podia sentir entre os dedos as lágrimas quentes que ainda escorriam. Arquejava meio sem ar. E apesar da angustia que dominava seu coração, ele não conseguia lembrar-se do sonho. Simplesmente nada.
Mesmo com o grito, ninguém aparecera. A casa estava vazia e os vizinhos mais próximos estavam distantes.  Distantes o bastante para não ouvir nem mesmo seus CDs de rock, mesmo quando ligados no último volume. Estava sozinho.
Assim que recuperou o controle de sua respiração, levantou-se e caminhou descalço até o banheiro. Encarou o espelho sobre a pia do banheiro durante alguns minutos e, mesmo assim, não conseguia reconhecer-se. As olheiras, marcas das noites mal dormidas, estavam emolduradas por um rosto magro e fundo. Se não fosse a barba por fazer, seria uma cópia perfeita da máscara do assassino dos filmes da série "Pânico". Fez uma careta em forma de "O" com a boca. Coçou o rosto barbudo, sorrindo diante da comparação.
Sentiu o peso do celular no bolso de trás da calça de moletom e o retirou para confirmar a hora. 7h38. Atrasado! Despindo a roupa sem jeito, entrou correndo no box, deixando o primeiro jato de água fria levar embora qualquer resquício de sono. Lavou-se rapidamente e, ainda debaixo do chuveiro, escovou os dentes sem muito cuidado.
Assim que saiu do banho, correu para procurar uma roupa no cesto do corredor. Qualquer uma que não estivesse tão amassada e nem fedendo. Uma calça jeans preta com rasgos nos joelhos, que sua mãe odiava, compôs, junto com uma camiseta cinza sem mangas, o conjunto mais adequado. Pegou uma maçã dentro da geladeira e, agarrando o case da guitarra sobre mesa da cozinha. Desceu as escadas da varanda, pulando alguns degraus, e foi buscar a bicicleta na garagem. Com o case nas costas, saiu sem nem fechar o portão. Subiu a rua pedalando com toda a força.
Quando chegou na casa de Tiago, jogou a bicicleta num canto da calçada. Sentou no chão para recuperar o fôlego. Já podia ouvir os rapazes afinando os instrumentos. Olhou a hora no celular: Treze minutos de atraso. Com um sorriso, empurrou a bicicleta, a encostou no muro e, passando a corrente, a trancou com o cadeado. Foi até a porta da garagem já esperando ouvir as reclamações de Tiago e Felipe sobre seus atrasos. Mas tudo que ouviu foi Felipe afinando o baixo, Tiago arrumando a bateria e seu novo pedal duplo e... Uma guitarra? Abriu a porta com um baque e não gostou nada do que viu.

CONTINUA!

16 setembro 2009

[Para não deixar...]

Para não deixar a vida passar em branco.

Nunca deixe para ler um livro que gosta amanhã, leia hoje! Nunca deixe para mandar uma mensagem para a pessoa que te importa amanhã, mande hoje! Nunca deixe de dizer "você é especial para mim" para aquela pessoa que você reencontrou, depois de muito tempo, já no momento em que a vir, pois pode demorar muito tempo para que você a veja novamente, e você nem sabe se terá essa oportunidade...
Ore hoje, nem que seja apenas um "obrigado Senhor". Leia a bíblia agora, nem que seja apenas um versículo. Escreva aquela carta prometida, na primeira oportunidade que tiver uma folha em branco na mão, nem que seja apenas um "não tenho idéia do que escrever, mas lembrei de você".
Saia de casa para fazer aquele lanche ou tomar aquele sorvete que você tá com vontade desde algumas semanas atrás, mas que não fez/tomou até agora. Ouça no volume máximo aquela música que você se pegou assobiando o dia inteiro e percebeu que faz séculos que ela não rola no seu som.
Vá visitar um amigo que te faz bem! Esqueça o sono e o cansaço e vá virar uma madrugada na companhia de alguém que te faça sorrir. Vá ao cinema dessa vez e não deixe o filme, que você programou durante tanto tempo para assistir, sair de cartaz.
Apenas viva, e não deixe seus dias passarem por você. Assuma o controle do seu tempo. Faça, sorria e chore. Estude, durma e cante. Seja aquela pessoa que você sonhou e não deixe os medos ou as circunstâncias te afastarem de você mesmo. O dia ainda não terminou. E se acabou, é porque você está apenas no começo de um novinho em folha.


Não seja como um barco que não pode mais navegar, sempre à margem, sempre ancorado. Aproveite sua juventude e conheça tudo que a vida pode lhe ofertar de melhor, segundo os seus sonhos. Um dia você realmente não poderá mais navegar, aí será tarde para se lamentar.

13 setembro 2009

[Um 30 de junho]


-->Não estamos em junho, muito menos no dia 30, mas eu quero compartilhar aqui no blog esse texto mais que especial de um amigo, um irmão... na verdade, mais que um irmão (ele escreve aki)... Sobre essa data que já era muito importante pra mim... E se tornou mais ainda!
"muy obrigado... por tudo e por nada..."
Espero que o apreciem tanto quanto eu!

Há pessoas muito ligadas a datas. Unem dias e sentimentos. Aliam meses a lembranças. E veem em cada data especial um motivo pra comemorar. Ou apenas relembrar. Do outro lado, estão aqueles que têm certo problema com datas. Lembrar de aniversários, feriados e ocasiões especiais? Só se for por acidente. Ou alguma coincidência. Daquelas que muito raramente acontecem!
Faço parte do segundo grupo! Mesmo assim, ainda me lembro de algumas – poucas – datas. A diferença é que normalmente eu não preciso de um acidente ou de uma coincidência pra lembrar. Tenho uma fórmula que quase sempre me ajuda: eu anoto! Mais simples impossível! Ainda assim, a despeito das anotações, não é raro eu esquecer. E muito menos raro é eu consultar minhas anotações depois da data que eu queria lembrar. Um dia ou dois. E aí já era...
Meus amigos mais próximos já se acostumaram. Não é raro o aniversário de algum deles – frequentemente os melhores, vale dizer - passar em branco. Às vezes lembro de pessoas menos importantes. Um cronista de que gosto muito – o Artur da Távola – disse que “o ser humano, estranhamente, se comporta sempre de forma pior com quem gosta, porque quem gosta acaba compreendendo”. Acho que isso explica por que eu me esqueço mais facilmente do aniversário de quem gosto mais. Certeza da compreensão.
A certeza a que me referi não significa aproveitar o sentimento do outro para errar. Mas representa a consciência de que há um espaço, construído por duas pessoas amigas, que compreende até mesmo os erros e ausências. Daí a leveza da relação. A ausência de pesos e obrigações. Uma amizade sólida, construída na eternidade... Tanto que às vezes a gente pode se esquecer de datas do calendário.
Como toda regra tem exceção, consegui me lembrar de algo importante relacionado ao dia 30 de junho! Não apelei às anotações. Não esperei uma coincidência. Nem mesmo fiz qualquer esforço de memorização. O simples pedido, feito por um amigo, foi suficiente para que dele eu me lembrasse.
Hoje deixei minha mente viajar por certos momentos especiais. Lembrei-me de um dia no início de um outubro. E de outros no começo de um abril. Sim: um outubro e um abril. Meses que não se repetem. Dias específicos. Momentos que saíram do calendário e se assentaram em outro patamar: na eternidade vivida (apenas) no coração!
Talvez por habitarem a eternidade, desses dias me lembrei. Da mesma forma que, de forma rara, hoje me lembro de um simples pedido. Lembrança que poderia ter me visitado em qualquer data. Mesmo que fosse a (considerada) errada. Verdade é que a eternidade não aceita limites. Assim como não dá pra definir um calendário a ser obedecido pelo nosso coração.
Hugo Rocha
Contagem, 29.6.2009

12 setembro 2009

["to do" list] (12/09 - 18/09)


-->Vi essa idéia no bLog da Sara, e resolvi testar... Quem sabe não funciona comigo, né? xD

1. Ir no Centro revelar as fotos.
2. Parar de ficar até tarde no MSN e ir dormir mais cedo.
3. Lavar as roupas acumuladas.
4. Ler os textos de Didática antes das aulas.
5. Colocar a leitura bíblica em dia.
6. Estudar toda a matéria atrasada de Análise.
7. Fazer os exercícios de EDO. ¬¬
8. Ir ao cinema assistir "A órfã".
9. Começar a rascunhar o trabalho de História da Ed. Matemática. aff
10. Preparar minha aula de estágio.

;D

10 setembro 2009

["Esta é a Xêpaaaaa..." by Mandark]

Essa moça 'linda' aqui do lado é minha amiga... ;D
Nem sei como começar a falar dela... Aliás, não consigo pensar na minha vida sem a sua presença constante, sem seu apoio, compreensão, carinho... Sem suas tiradas e críticas... Sem suas confusões, inconstâncias, sem as longas conversas ao telefone...
Já vivenciamos de tudo nessa vida... Já compartilhamos de tudo... E em mais de 12 anos, crescemos, mudamos... Mas continuamos as mesmas crianças bobas que um dia se conheceram... E jamais se separaram... Pelo menos não de verdade!
São livros, filmes, fotos... Momentos eternizados na memória pelas crises de riso... São tantos sonhos compartilhados, tantos planos traçados...
Penso nas coisas que eu tive se suportar por causa dela, como as longas sessões de "Devon Sawa" que eu tive de assistir... Alguém alguma vez na vida já ouviu falar ou assistiu "A Mão Assassina"? Não? Continue na ignorância então... rs
Mas uma coisa eu digo: Valeu a pena, e se eu tivesse que fazer tudo de novo, passar por tudo de novo... Eu faria com prazer!

Nesse dia especial... Queria estar ao lado dela, mas mesmo que isso não seja possível fisicamente, um pedaço do meu coração está lá em Brasília nesse momento e sempre...

E pra comemorar, eu queria deixar esse vídeo que apresenta minha amiga linda com a cabeça 'inchada de cera' melhor do que todas as palavras que eu possa usar para descrevê-la:



Bjo Cris! Te amo, cê sabe, né? xD

07 setembro 2009

[Chover]

Choveu.

Quando os primeiros pingos bateram contra a janela, levantei os olhos do livro e vi o vento açoitando a cortina com ferocidade. Ainda sentado sobre a cama, com o livro no colo, vi quando os primeiros pingos molharam o chão do quarto. Levantei-me, sem muita pressa, para fechar a janela e quando me aproximei, senti a água da chuva molhar meu rosto, cabelo, minha camiseta. Deixei por alguns segundos o frio do toque dessa chuva me acordar das páginas do livro e quando percebi, a água já escorria por meu corpo, gerando uma poça enorme ao meu redor. Fechei a janela sem pensar e fiquei parado por alguns segundos, olhando para o chão, percebendo os detalhes do revestimento, a água que se espalhava pelo quarto, que escorria pelos meus braços estendidos ao lado do corpo, e finalmente pingava dos meus dedos.
Virei-me e apanhei a toalha que estava sobre a cabeceira da cama e a joguei sobre os ombros, tentando me secar. A passei no cabelos e depois nos braços. Um leve tremor começava a tomar conta do meu corpo.
Enrolado com a toalha, eu olhava, pelo vidro embaçado, a força da chuva lá fora, enquanto minha mente viajava por muitos lugares.

Amigos que vão partir, amigos que se aventuraram, amigos que se fantasiam, amigos que mudam, amigos que leem, colegas que se tornam amigos, amigos que se distanciam...
Resultados de exames, trabalhos finalizados, trabalhos por fazer, trabalhos para apresentar, exercícios para resolver, textos para ler, provas à fazer...

Quando me dei conta a chuva já diminuíra. Reabri a janela e um vento frio me fez encolher. O céu encoberto não permitia ver as estrelas...

Minutos se passaram. O calor voltou. Já estou quase seco. Já não chove mais e no céu, eu já consigo ver alguns pontos estrelados. Nos lábios, o solfejar de uma música do Cordel. Me viro e me afasto da janela.

"Chover chover
Já que meu olho cansou de chover.."