26 maio 2010

[Millennium] - Stieg Larsson

O que começou como pura curiosidade se tornou uma das melhores experiências literárias da minha vida. A Série Millennium do sueco Stieg Larsson é um desfile de personagens inacreditavelmente fascinantes num cenário arrebatador e num clima que te prende totalmente ao enredo muito bem estruturado e com histórias paralelas muito bem amarradas.
O primeiro volume, "Os Homens que não amavam as mulheres" tem o título mais chamativo da série, na minha opinião. Apesar da sinopse que em um primeiro momento não me atraiu nem um pouco para história, eu larguei mão dos preconceitos e decidi conferir pessoalmente o porquê das excelentes críticas que havia lido. E garanto, não em arrependi, em nenhum momento. Com uma história cativante com um ritmo meio lento no começo, mas que vai mudando a medida que a história avança, o livro se consolida numa trama cheia de reviravoltas e com um final realmente surpreendente.
Um começo realmente incrível para uma história que ainda iria me surpreender e muito. E a primeira dessas novas surpresas foi realmente o segundo volume da série: "A Menina que brincava com fogo". Angustiante e perturbador! O ritmo alucinante da narração não te deixa largar o livro, principalmente nas suas últimas 100 páginas! Eu gostava do primeiro livro, mas esse é de longe muito melhor! A história da Lisbeth é realmente muito louca! Ficava pensando a todo o momento sobre o que o Stieg deixara para o último livro. Acho que ele colocou toda a ação nesse livro!
Esse livro cria na gente uma quantidade imensa de sentimentos contraditórios: ódio por personagens que teoricamente deveriam ser bons e apoio para personagens que tomam atitudes não muito boas. Personagens marcantes, com nomes difíceis (eu consegui criar uma pronúncia alternativa para cada nome... Particularidades de um leitor... huahauahauahu) e com características apaixonantes... Até os bandidos às vezes são tão legais... rs!
E quando achava que não podia melhorar, eu mais uma vez me enganei e tive que dar o braço a torcer diante do talento inegável do Stieg: "A Rainha do castelo do ar" é um presente e tanto.
Assim como os outros volumes da série, ele chega a um ponto da narrativa onde se torna completamente impossível largar o livro. É daqueles livros que você, mesmo caindo de sono procura de todas as formas manter os olhos abertos madrugada a fora buscando sempre ler "só mais uma página"... É daqueles livros que te faz acordar mais cedo, e ainda com os olhos pesados, procura ler o máximo de páginas possível antes de levantar da cama...
Mesmo depois de ler as última página do livro, permanecia num estado de incredulidade... "Acabou?"... Não uma incredulidade causada por um final decepcionante ou que deixou milhares de pontas soltas na história, mas uma verdadeira tristeza de pensar que ao final deste livro, não há próximo volume, é como se as vidas de personagens como Lisbeth Salander e Mikael Blomkvist terminassem exatamente nas útimas linhas desse livro para continuarem apenas na imaginação do autor e dos milhares de leitores que e deleitaram com essa história simplesmente incrível!
Stieg Larsson criou uma história que me cativou desde o primeiro volume, mas que, ao contrário de diversos outros livros em série, não perdeu o seu ritmo e não deixou a desejar no final...
Mais do que recomendado, a série Millennium conquistou facilmente no meu conceito lugar entre os melhores livros que já li! Só o que posso dizer é que vou sentir saudade e que mal posso esperar pela oportunidade reler todos os volumes o mais breve possível.

[observações em dia de calor]

Eu sentia raiva. Desliguei o celular e o joguei sobre a cama ainda desarrumada.
Puxando a toalha da cabeceira da beliche, fui tomar um banho. Deixei a água bater nas minhas costas até conseguir relaxar.
Era simplesmente idiotice passar por tudo aquilo. Mas como costumam dizer, o coração da gente é burro.

Assim que desliguei o chuveiro, me enrolei na toalha e parei em frente ao espelho embaçado. Passando a mão sobre o vidro, podia agora ver o cabelo grande, molhado e pingando.

"Nota mental: cortar o cabelo o mais rápido possível"

Três espinhas gigantes se destacavam no meu rosto marcado pela barba rala por fazer.

"Essa eterna adolescência consegue me irritar mais do que qualquer fila de banco..."

Escovei os dentes vagarosamente, observando o vapor no banheiro embaçar mais uma vez o espelho.
Quando saí, já estava suado outra vez.

"O calor insuportável dessa maldita cidade ainda vai conseguir me enlouquecer..."

Revirei as gavetas atrás de uma calça jeans limpa. Resultado: Todas sujas!

"Nota mental: primeiro me odiar para o resto da vida por esquecer de colocar as calças para bater no tanquinho na noite anterior... E depois lembrar de não passar mais uma noite sem fazer isso."

Vesti uma bermuda xadrez comprida e uma das camisetas da faculdade, calçando a chinela de couro que minha tia me deu de presente de aniversário.
Olhei para o celular sobre a cama e relembrei do motivo de estar levantando antes das oito horas da manhã nesse terrível dia de calor.
Sentei na cama com tristeza e deitei com as pernas para fora da cama.

"Vou bagunçar de novo o cabelo que eu já consegui arrumar com gel... Odeio esse cabelo... Tenho mesmo que arrumar grana para cortar ele essa semana ainda..."

Olhei para os cadernos sobre a mesa de tampo de vidro que eu havia arrastado da sala para o quarto e pensei na prova do dia seguinte.

"Outro zero?"

Peguei a pasta em cima do armário, passei em frente ao espelho, passei a mão nos cabelos já bagunçados novamente e saí de casa apressado pois já estava mais de trinta minutos atrasado.

O céu totalmente sem nuvens parecia ampliar a força do sol e sua instantânea capacidade de me irritar...
Bati o portão com força deixando para trás toda a minha esperança de ter um bom dia de descanso.