As semanas que se seguiram passaram rapidamente. Mudança, arrumação da nova casa do seu irmão, além das idas ao banco. Precisava organizar sua vida financeira e preparar-se para colocar o pé na estrada. O tempo passou sem que ele se desse conta. Ele tentava, com algum sucesso, manter longe da mente, qualquer coisa além da sua viagem.
Com a venda da casa dos seus pais e as economias que fez durante o ano de trabalho no restaurante, tinha condições de ficar na estrada bem mais de um ano. Poderia conhecer boa parte do Brasil com uma mochila nas costas. E era exatamente isso o que ele pretendia fazer.
E foi numa sexta-feira que ele partiu, deixando a promessa de sempre ligar para dar notícias e mandar por e-mail as fotos de todos os lugares que iria conhecer.
Foi um ano de grandes aventuras que acabou se prolongando por mais dois. Foram mais de 13 estados visitados, trabalhos temporários, belos lugares e outros nem tanto. Foram pessoas, amigos, amores. Foram noites dormindo em rodoviárias ou bancos de praça. Mas quando ele finalmente voltou para casa, foi com um mochila cheia de lembranças, saudades e muitas histórias para contar. Tinha os cabelos mais uma vez compridos, a barba por fazer, algumas cicatrizes e não mais o corpo magro e franzino de adolescente. O rapaz que saiu de casa tornara-se um homem.
Seu irmão o recebeu de braços abertos junto com Sara. As primeiras noites foram regadas a vinho, fotos, muitas risadas e algumas lágrimas. Mas na terceira noite, a conversa seguiu um rumo inesperado.
- Ju, já preparei tudo - Seu irmão dizia entusiasmado - Arrumei um emprego muito bacana para você na empresa. E como é meio período, se quiser, pode inclusive voltar a estudar!
- Irmão, eu vou me mudar para São Paulo com alguns amigos. Só vim aqui para ver vocês.
- Como assim? - Sara parecia alarmada - Você acabou de voltar para casa.
- Eu amo vocês, mas aqui já não é mais minha casa. É de vocês. Aqui sou apenas uma visita.
- É claro que é sua casa! - Seu irmão parecia irritado e decepcionado.
- Já tem alguns meses que me juntei a um grupo que toca na noite. Estamos correndo atrás de patrocínio e nossa próxima parada agora é a capital paulistana. Mano, é minha chance de viver da música como eu sempre sonhei!
- Mas... - E baixando a cabeça - Eu só queria meu irmãozinho aqui com a gente de novo - Disse emocionado.
- Pow brother, 'irmãozinho' pega mal.
Todos riram.
- Tem razão, saiu daqui um moleque e voltou um homem.
- Então, um homem que voltou a sonhar e que está tentando achar seu lugar.
- Você vem nos visitar, não é? - Foi a vez de Sara se emocionar, mesmo que sorrindo.
- Claro cunhadinha! Acha mesmo que eu deixaria vocês em paz? Essa vidinha de vocês aqui é muito chata. E no final das contas, foi como eu disse uma vez: Pra onde mais eu iria quando tudo der errado? - E rindo, continuaram a conversar durante boa parte da madrugada ,fazendo planos.
- Julián, a Lizzy ligou alguns dias atrás - Sara disse isso com um tom despreocupado - E perguntou por você.
- Foi mesmo? - Julián tentou parecer o mais impassível que pode.
- Sim, e disse que ela e os pais estão mudando mais uma vez de casa. Eu anotei o novo endereço e coloquei agora pouco sobre a sua cama, junto com o telefone novo que ela me passou.
- Pow Sara, obrigado mesmo! Depois eu pego lá.
- De nada - E com um risinho, Sara se afastou.
Alguns dias depois, mais uma vez ele estava colocando o pé na estrada. Era o começo de mais um aventura.
1 ano depois...
Eram quase 6 horas da manhã e o bar ainda estava cheio. O turno deles havia acabada às 5 horas, mas, a pedido do dono do bar, eles ainda estavam tocando. Quando finalmente terminaram de tocar o pedido de um carinha chato, que havia passado boa parte da madrugada gritando: "Toca Rauuuuuuuuuuuuuull...", começaram a recolher os instrumentos.
Algumas pessoas começaram a pagar suas contas e ir embora, enquanto alguns entusiasmados pediam por mais um canção.
Sorrindo, Julián largou a guitarra e, pegando o violão, foi até o microfone e perguntou se poderia tocar uma breve canção de amor para despedir a galera. Uns bêbados gritaram de alegria.
- Essa música não é conhecida, mas foi escrita por uma moça que um dia eu conheci, e mudou a minha vida.
De repente Julián tremeu. Não entendia por que tinha dito isso, ou mesmo porque escolheu aquela canção para tocar, mas quando começou, percebeu que aquela música jamais saíra da sua mente, mesmo depois de tantos anos.
"Você me fez sorrir com suas confusões
Me brindou com a doçura de sua voz
E pelos acordes de seu violão
Eu pude alcançar a tristeza do seu ser [...]
Seja a minha voz e faça nossa história ressoar..."
Quando terminou, alguns choravam, outras vaiavam, e uns poucos batiam palmas descompassadas, seguidas de gritos de "música de corno"... Por um momento Julián ficou pensativo, mas em seguida desatou a rir por causa dos gritos e disse:
- Obrigado pessoal! Vocês são a melhor plateia do mundo! - E virando-se, começou a guardar os instrumentos com o pessoal.
Assim que terminaram de recolher os instrumentos na van, Julián disse que precisava caminhar. Com o case da guitarra na mão, seguiu pela rua que ainda parecia estar acordando.
Enquanto caminhava, viu de relance uma bela moça de cabelos vermelhos passando de carro. Seus lábios esboçaram um grito que foi engolido e tornou-se um sussurro:
- Lizzy...
Ele sorriu e recomeçou a caminhar. Naquele momento ele percebeu que, mesmo que o tempo tenha passado, seu mundo nunca deixou de ser um pouco mais 'vermelho'.
E parando em frente a um café, entrou para comer alguma coisa. Queria chegar em casa, poder finalmente dormir e, quem sabe, sonhar, mais um vez, com uma menina de cabelos vermelhos.
Sentou e depositou o case sobre um banco ao seu lado. Olhou para um telefone público que ficava ao lado do balcão. Quando pegou a carteira para pagar a conta, viu um papel amassado, onde tinha um endereço e um telefone escritos.
Uma coisa ele havia aprendido nesses últimos anos: sonhar é bom, mas correr atrás dos sonhos é ainda melhor. E colocando o papel sobre a mesa, perguntou para atendente:
- Vocês vendem cartão telefônico?
FIM


10 comentários:
Eu comento pouco, apesar de ter lido todas as partes da sua historia até o momento. Nao ha muito pra se dizer, sem que pareça exagero, o fato eh que sua historia me prende como poucos livros conseguem... e eu sou um leitor ávido hehe
Alem disso, de ser uma leitura prazerosa, eu sempre acabo pensando no que li durante um bom tempo, seus textos me fazem bem. Continue escrevendo:)
Ahhh, eu adoro suas histórias! Adoro esses finais sem fim, haha.
Obrigada por nos brindar com sua história. E conte mais :D
Xero
Vergonha minha ainda não ter lido todos os seu posts.....
Sabe oq to fazendo agora?
To colocando todos os textos em um só doc pra imprimir, assim eu tenho certeza que lerei....
Boa tarde.!!!!
Ahhhh.... quando eu terminar de ler todos... comentarei cada um em seu devido lugar...
promessa feita é dívida a se pagar.
Que estória linda...adorei!!
Fiquei viajando aqui hehehe...
Pena que eu esperava um final diferente...típico de finais felizes msm, fazer o q...rsrsrs
Parabéns,Andy!
Continue escrevendo suas estórias e eu vou continuar lendo com prazer...=]
bjos
Lili =*
*-* meninoooooo!!
aaaah amei esse fim,mas ficaria felizona se mais alguma coisa acontecesse...ops..a minha vontade mesmo...é que nunca acabe,né já falei isso aqui!?!?
aaaaaaaaaaaaaah...me apaguei as esses personagens!! ^^
Parabéns..Parabéns mesmo andy!!
esse é realmente meu blog favorito!! ;)
bjo,saudade!!
Pudia jurar que já tinha comentado aqui...
rsrsrs
Sei que não comentei em todos capítulos, mas pode ter certeza de que li todos!
E gostei muito!
O final foi perfeito pra um fim de temporada! xD
Cara, gostei, gostei muito do que li.
O final ficou muito bom. Eu Pensei que eles ficariam juntos no final, mas assim é melhor.
Parabéns! Vamos ao próximo.
Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
adorei, foge do padrão, mas...
ele ligou? kd?
continuaaaaaaaaaa rsrs
Aaaaaaaa que história maravilhosa! Quero continuação!!!
Postar um comentário