A
primeira vez em que conversamos eu não podia nem imaginar que já nos
conhecíamos. Sua aparência me atraiu, seu gosto musical me seduziu... E depois
de alguns minutos de conversa percebi que seu jeito doce já havia me cativado.
Mesmo quando passamos algum tempo sem nos falar, volta e meia eu me pegava
pensando...
As coincidências e semelhanças entre nós chegavam a me assustar. Em poucos dias
eu podia dizer que estava simplesmente viciado em sua presença, eu seu carinho
e atenção. Esses são alguns dos perigos da solidão e da carência: facilmente
nos apegamos as pessoas e logo o apego vira necessidade e essa necessidade
torna tudo ainda mais confuso.
É só quando você percebe que perdeu a noção do tempo, que deixou de realizar
tarefas cotidianas, que as coisas ao seu redor perderam a importância... É só
nesse momento que o que era mágico começa a tomar contornos trágicos.
Eu me vi completamente desligado da minha realidade, perdido em um sonho
que jamais se realizaria. Foi nesse
momento que resolvi colocar os pés no chão e abrir mão. Mas como é difícil
abrir mão de algo que em pouquíssimo tempo havia se tornado para mim quase como
o ar: impossível viver sem. E depois de diversas tentativas, vi aquilo que amo
partir. Parece ridículo falar em amor, mas é a única palavra que consigo
utilizar para descrever o que senti... O que ainda sinto.
Então voltei para minha realidade.
Voltei para onde estava tudo fora do lugar, onde não me sentia mais acolhido e
seguro. Tudo pelo qual batalhei, tudo que construí com anos de renúncias
simplesmente perdeu o valor. As pessoas já não estavam mais aqui, pelo menos
não verdadeiramente. Aliás, acho que eu não estou mais aqui.
Não sei mais o que fazer, não sei mais o que dizer. Desde que voltei para a
minha realidade, eu vivo meio que "no piloto automático", agindo,
falando, respondendo a estímulos básicos, vendo as pessoas passarem, ficarem,
voltarem, partirem enquanto eu continuo na mesma: sozinho e vazio.
Preciso recomeçar. Na verdade tudo o que eu preciso mesmo é pelo menos descobrir
como.

Um comentário:
Sr. Wickham,
Por que isso não me surpreende?
Já passei por isso algumas vezes. O problema é a sintonia... você está em uma "estação" e a pessoa em outra. Não sintonizam ao mesmo tempo, o mesmo "lugar".
É aquilo que te falei ontem a respeito de dizer "eu te amo" a torto e direito, falam sem sentir e nos enganam com uma intensidade que não existe.
Sinto pela nossa fragilidade e a nossa falta de barreiras ou radares para detectar esse tipo de gente.
=(
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