[Alex]
As diferenças não são nada quando se tem um objetivo em comum.
Alex olhava pela janela, vendo as últimas nuvens de chuva se desfazerem em meio aos raios tímidos de sol que despontavam atrás dos prédios. Sua mente viajava pelo tempo.
Ele via Marina sentada na mesa da sala com o notebook aberto, fuçando o Facebook, enquanto tagarelava com Andrea sobre um episódio que aconteceu no elevador no dia anterior, enquanto gargalhava histericamente. Alex nunca entendeu como ela conseguia fazer tantas coisas ao mesmo tempo: o trabalho, a casa, a irmã mais nova e ainda arrumava tempo para ler tanto ou até mais do que ele, que era um vagabundo de marca maior. Ela morava com a irmã num apartamento no Centro e cuidava de tudo. Fazia faculdade de direito, e ainda namorava um chato de galochas chamado Jaime. E tinha apenas 23 anos. Como ela conseguia. Alex já tinha 21 anos e não tinha a mínima ideia do que faria da sua vida.
Ele se lembrava perfeitamente da primeira vez em que a viu: na fila do banco. Ela estava carregando umas 6 sacolas, falando no celular e tentando passar pela porta giratória enquanto o guarda gesticulava que nem um louco tentando informar para ela que ela deveria desligar o celular e deixá-lo na abertura para passar. Enquanto isso uma fila de pessoas impacientes se reunia atrás dela. Quando ela finalmente atendeu aos apelos ao seu redor, conseguiu passar, mas não sem reclamar e falar, falar, falar e falar...
Quando ela chegou na fila, exatamente atrás dele, depositou todas as sacolas no chão e começou a falar:
- Penso que todos esses bancos deveriam passar por uma urgente reforma estrutural, não concorda? Eu passo horas dentro de bancos todos os dias e não consigo me acostumar com toda confusão de portas, filas, detectores de metal. Tudo tão pouco prático, tão complicado. Eu estava em uma ligação de extrema importância e tive que desligar abruptamente e sem muitas explicações. Sério que tem apenas 2 caixas para atender todas essas pessoas da fila? - Depois de uma brevíssima pausa, ela olhou para o livro que estava em suas mãos e em seguida para o seu rosto (que devia ser de um completo paspalho) e gritou: - NÃO ACREDITOOOO!! VOCÊ TAMBÉM ESTÁ LENDO "AS RUÍNAS"?? E eu achava que só eu no mundo inteirinho conhecesse esse livro. Eu o estou relendo agora mesmo. - E sacando o outro livro da bolsa, quase o esfregou na cara de Alex. E pegando o livro dele, começou a folhear, buscando a página em que ele estava. - Você tá quase junto comigo. A gente podia começar um clube do livro, né? Já estamos lendo o mesmo livro. Podíamos marcar de nos encontrarmos no final de semana para discutir o livro. O que acha?
Ele ouvi todo esse diálogo em completo silêncio, com o rosto mais vermelho que um pimentão. Todos no banco olhavam para eles, mas ela parecia não perceber ou pelo menos não se importava nem um pouco. Ela o olhava com muita expectativa e quando ele se deparou com seu questionamento final tudo que pude fazer foi simplesmente balançar a cabeça positivamente, com medo de uma recusa causar uma situação ainda mais constrangedora.
- Pronto, sábado nos encontramos. Até lá você já terminou de ler, né? Porque eu termino ele ainda hoje ou amanhã.
E foi assim que o clube começou. A amizade de Alex com Marina, por mais improvável que parecesse, foi se consolidando e com o tempo, as diferenças entre eles pareciam não ter mais importância e logo vieram outros livros, outros encontros e novos membros para o clube.
Ele ainda olhava pela janela, quando viu Pedro entrando no prédio.
[CONTINUA]

2 comentários:
Sabe o que mais me aborrece com a sua demora em postar novos capítulos? Eu esqueço onde estava e sou obrigada a ler no mínimo, o post anterior... =P
Tá, tudo bem... eu te perdoo mas vamos agilizar isso, hein? Beijo, SEU LINDO!
André, seu lindo...
Como vc pode desativar a sua conta do face e não me avisar? Cara, eu quase pirei quando não te achei lá. O que será da minha existencia sem a presença intelectualmente estimulante do Sr. Wickham? Sério, preciso de notícias. Manda nem que seja sinal de fumaça... mas na falta de uma fogueira próxima que tal um e-mail? lilly.dicine@gmail.com ou maybe uma msg de texto? (75)9966-4262 ...
To realmente preocupada. Aguardo notícias viu? Beijo grande... aliás, nada de beijo até ter notícias...rs Te amo mesmo assim!
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