Lembro
que a última vez que realmente chorei desconsolado, foi quando recebi a
notícia que meu tio havia falecido. Não sou de chorar. Dificilmente deixo
qualquer coisa me abalar a ponto de me entregar às lágrimas. Isso até
hoje!
Todos os livros do Zafón tem a capacidade mágica de me emocionar!
Sua escrita arrebatadora me presenteou com aquele que é sem dúvidas o
livro que mais me marcou, em toda a vida: "A Sombra do Vento". Um livro
que já reli quatro vezes e que conseguiu me emocionar e me encantar em
cada uma dessas vezes.
Durante os últimos quinze dias, depois de adquirir "O Labirinto dos
Espíritos", reli toda a série novamente com a intenção de adentrar esse
último volume com a memória fresca e entrar de embalo numa narrativa
inédita que eu nunca duvidei que iria me prender completamente até a
última de suas quase 700 páginas.
Não sei se estava já propenso à emoção, mas nada me preparou para as
lágrimas que me esperavam nas últimas 150 páginas desse livro...
Reencontrar Julián , Isabella, David, Nuria, Daniel, Fermín, Bea...
Conhecer Alicia... Tudo culminou em um final que me arrancou soluços em
meio às lágrimas.
Tenho certeza que muitos não compartilharão dos meus sentimentos e
podem até considerá-los exagerados... Mas não tenho como descrever a
melancolia que me dominou ao ler a última frase dessa longa história que
me acompanha a tantos anos, desde quando escolhi "A Sombra do Vento" numa
prateleira da livraria em meados de 2007. Um livro recém lançado no Brasil, de um autor que
eu nunca tinha ouvido falar e que hoje considero um bom amigo, assim
como cada um dos seus personagens...
Porque se existe algo que nunca me esquecerei é que "nós existimos
enquanto alguém se lembra de nós"... E enquanto eu viver jamais
abandonarei cada um desses meus amigos, que estão eternizados na minha
estante para cada uma das inúmeras vezes que ainda me aventurarei em
suas mágicas páginas para reencontrá-los!

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