21 dezembro 2012

[enquanto ela escreve o mundo continua a andar]

Ela escreve, distraída em seu caderno, trechos de livros que ama. Seus olhos estão semicerrados e sua testa vincada de concentração. Têm os cabelos, embaraçados e revoltos, emoldurando um rosto magro e encovado em alguns pontos. Está deitada em meio aos lençóis amarrotados, apoiando o caderno sobre o travesseiro, balançando os pés calçados com uma meia colorida.

O celular emite uma canção tranquila pelo auto-falante, e ela continua a escrever. Já é manhã alta e o sol derrama seu brilho ofuscante, pela janela do quarto, sobre a mobília simples, revelando leves defeitos e arranhões sobre a escrivaninha que fica ao lado da porta. Há diversos livros e CDs espalhados pelo chão, gavetas abertas e folhas de papel colorido cercadas de belos origamis de flores.

Ela fecha o caderno com um baque e colocando-o de lado, deita a cabeça e cobre o corpo mais uma vez, enquanto deixa as horas passarem. O sono começa a envolver mais uma vez e ela desliga sua consciência, evitando os problemas da vida real. Quando finalmente levantar, não vai mais poder evitar. Mas isso é para outra hora. A música ainda toca num volume baixo e o som da casa a despertar lhe lembra que agora não vai demorar muito para o inevitável encontro com o mundo lá fora. Enquanto isso, ela simplesmente cobre a cabeça com a colcha e finge poder ficar ali para sempre. Afinal, o dia 22 de dezembro sempre chega.

Infelizmente!

2 comentários:

Alinne Silva disse...

Post lindo e triste, Andy :/

Lilly DiCine disse...

Olá, Sr. Wickham...

Viva à deprê, hein? Melhor fonte inspiradora não pode haver. Enfim, somos de fato almas siamesas. Deixando de lado esta única parte "Enquanto isso, ela simplesmente cobre a cabeça com a colcha" (porque nesse calor insuportável não tenho usado cobertor)... Vc descreveu exatamente a forma como escrevi minha resenha nesta madrugada... tô beeeeeeeeeeeesta! o.O
Lindo, lindo, lindo texto!
Beijo
Srta. DiCine