
Alguns dias são fáceis, outros não. Dias como hoje são dos difíceis. O vazio no estômago é muito mais do que o longo período sem comer. Ele é seguido daquele engasgo na garganta. É acompanhado pelas músicas que embalam meu sonho, aquele que vivencio acordado, no sofá da sala, com o notebook no colo, enquanto esvazio minha mente através das palavras digitadas.
É aquele vazio que sinto quando olho no espelho e contemplo a aparência que nunca desejei, longe do estereótipo que eu mesmo tracei como adequado. É o vazio que acompanha meu desânimo para estudar, para me empenhar em crescer, em mudar. É o vazio que me faz passar os dias estagnado, trancado em casa, sem vontade de sair.
Alguns dias são piores que os outros. Hoje é um dos dias em que deixo as horas passarem sem pensar no amanhã. É quando me abandono em autocomiseração e me permito desejar a morte ou o simples fim da convivência social em troca da solidão plena, sem as expectativas estampadas no rosto das pessoas que "amo". Às vezes gostaria de não amar, de não me importar. Tudo fica bem mais simples assim.
2 comentários:
Sr. Wickham,
Leio seus posts e fico confusa... me parece estar lendo meu diário. Acredite quando digo que não somos almas gêmeas. Não, não somos. Somos almas siamesas!!! Caramba, como podemos ser tão parecidos? Sinto o mesmo "é quando me abandono em autocomiseração e me permito desejar a morte" kkkkk beeeeeeeeeeeem dramático e totalmente EU.
É isso meu caro. Já falei inúmeras vezes e não me canso de repetir: Viva a net que nos permite encontrar iguais e nos sentirmos menos ETs no mundo.
Te amo pra sempre!!!!
"Às vezes gostaria de não amar, de não me importar. Tudo fica bem mais simples assim." pois é, eu também, e quem, às vezes, não deseja isso!!! mas não podemos... como disse drummond:
"Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão rodar também, e amar?"
você tem cada dia evoluído mais em suas escritas, ao meu ver, e isso me faz cada dia mais AMAR ler-te! muito bom, andré!
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