23 fevereiro 2012

[hoje]

hoje o dia amanheceu mais escuro
e o vento frio que arranhava meu rosto parecia mais forte
minhas tentativas frustradas de redenção me desanimam
e as nuvens de chuva cobrem a tarde ensolarada
e a chuva constante se mistura com minhas lágrimas ardentes
e esfria a minha alma, que segue amedrontada
meu coração vazio, sem paixão, sem amor.

amedrontado, esse é meu eterno adjetivo
um medo que paralisa e que tira o meu vigor
paralisado para o bem, sempre ativo para o mal
e sigo caminhando cabisbaixo.

não tenho seu olhar, nem sua força
essa paixão me abandonou a tanto tempo
anulada pelos meus medos, meus preconceitos;
sua energia, sua experiência, sua coragem
eu deixei partir, e essa paixão não olhou para trás.

eu morri há tanto tempo e a aparência permanece
e ninguém nem mesmo percebe
se eu me for, sentirão falta do que ofereci
e de quem sou, alguém uma dia sentirá?

tenho medo que eu me vá
e que ninguém jamais venha a me conhecer
e esse medo é o que me mantêm paralisado nesse mundo
preso a essa realidade que mina minha existência
e destrói...

morto: 21h18 do dia 23 de fevereiro de 2012

Um comentário:

Amanda Mourão disse...

Nossa, não sei direito o que falar, mas é muito forte e lindo, André. Muito triste e transmiti sinceridade. Lindo!