12 julho 2010

[Exercício Literário: Esquecer]

Ana sentia a grama sob o seu corpo. Seus braços nus, as palmas das mãos viradas para o céu... Com os olhos ainda cerrados, percebeu pouco a pouco a claridade do dia se extinguir...
Ela caminhara durante horas... E quando finalmente alcançou o pé do morro, vendo o sol se pôr, resolveu deixar o corpo descansar.
Sua mente estava finalmente vazia! Pelo caminho ela tentara deixar todos os seus problemas e medos... Angustias e sonhos... Tudo jogado fora a cada passo, a cada tropeço, a cada galho afastado com a mão... Ela fugia... Não apenas de...
"NÃO"! Desfez os nomes de sua cabeça! Os nomes, os lugares... Os motivos...
Ela simplesmente estava ali, deitada... E assim queria permanecer...

O vento frio começou a açoitar seu corpo e quando seus olhos se abriram, a noite estrelada manifestava toda a sua beleza!
Ela sentou-se e encolheu as pernas, enlaçando-as com os braços descobertos.
Uma palavra se formou em sua mente: "VOLTAR"!
Ela balbuciou tremendo: - "COMO? PARA QUE? A realidade começou a cair sobre ela como uma chuva fria e pesada, impiedosa em sua força! As lembranças jorraram e a fizeram tremer ainda mais... Ela podia ver o rosto desfigurado de ódio de seu pai. Sua mãe no chão...
Pedro... Ela havia fugido sem o celular... Ela precisava encontrá-lo...
O medo chegou e a tomou completamente, enquanto as lágrimas corriam soltas molhando sua roupa, marcando o rosto que recebia as rajadas de vento sem dó.
Mais uma vez fechou os olhos, agora ressecados, doloridos... E procurou no mais profundo da sua mente alguma lembrança que lhe trouxesse a paz que ela tanto procurara durante as últimas horas... Parecia que o sol levara consigo toda a serenidade... E deixara sua alma aberta para que o vento trouxesse de volta tudo aquilo que ela jogara pelo caminho...
Não havia como se livrar da dor... A noite jamais deixava de surgir! O dia nascia, o sol para aquecer... E deixar esquecer... Mas a noite com toda a sua poderosa presença não se fazia de rogada e sempre voltaria a se apresentar. "PARA ONDE IR?"
Ela levantou-se sem coragem ao perceber a resposta surgir diante dos seus olhos...
E forçando a memória atrás do caminho inverso ao feito naquela tarde... Começou a caminhar...

Quando a encontraram, ela estava apática, quase sem forçar... Já era manhã alta e todos da fazenda a procuravam desde a tarde anterior. Sua mãe a enlaçou... E ela deixou-se cair, carregar... E adormeceu...

Muitas coisas a esperavam quando ela acordasse do seu sono no hospital... Um enterro, uma viagem... Muitas perguntas...

Mas por ora, ela apenas dormia... E no sonho, a noite nunca chega... E a campina ensolarada... A grama que roça seus braços... Aquele ambiente quente a aconchegante... Bem, esse nunca tem fim! E aquilo que ela afastou de si não teima o vento em trazer de volta... Apenas paz!...

3 comentários:

Anônimo disse...

Como eu disse antes... muito bom! '-' Tu escreve tão bem... Já pensou em começar a escrever um livro? =D Adorei o nosso exercício literário! =*

Luana San disse...

nossa simplismente ameii

Vampira disse...

adorei o blog ;D