Com o rosto encostado na janela, eu não conseguia parar de pensar em tudo que havia acontecido. Quando Carlos apareceu e se apresentou como namorado dela e ela simplesmente permaneceu calada, não desmentiu, não confirmou, apenas olhou para mim com aqueles imensos olhos castanhos, parecia que o chão tinha se aberto diante de mim. Eu não gritei, não chorei, apenas perguntei se era verdade. O silêncio dela confirmara tudo.Eu jamais havia me entregado a um relacionamento como agora. Ela me usara, usara meus sentimentos enquanto o namoradinho estava longe.
Ela vinha abraçada com aquele rapaz. Por um momento minha mente parecia entorpecida. Eu o imaginei como irmão dela, mas quando ela se aproximou, nem olhou nos meus olhos, apenas disse:
- Daniel, esse é o Carlos! - E virando para o rapaz disse - Esse é o meu amigo Daniel de quem lhe falei.
A palavra 'amigo' me afetara mais do que imaginei. Não tínhamos nenhum compromisso firmado, mas aquele beijo...
Apertei a mão de Carlos de maneira automática.
- Muito prazer cara - Ele disse com um sorriso simpático - Ela fala muito de você. Obrigado por ajudá-la a se adaptar por aqui. Uma nova cidade, novos colegas, é sempre tudo muito difícil. E essa minha namorada é meio difícil de fazer novos amigos...
Depois disso, era como se eu não conseguisse ouvir mais nenhuma das palavras pronunciadas por Carlos. Procurei os olhos de Luísa que mantinha a cabeça baixa. Apenas lhe perguntei uma vez:
- É verdade isso Luísa?
Minhas palavras doíam, mas o silêncio dela foi como uma facada em meu coração.
Apenas virei as costas e me afastei. Ela chamou meu nome apenas uma vez, mas já era tarde demais! Eu andava lutando com as lágrimas que insistiam em querer rolar.
Me afastei até encontrar uma das pilastras do prédio, onde me encostei sem saber o que fazer.
Desci no terminal e me dirigi para os guichês de compras de passagens. Juntei meu dinheiro e comprei um bilhete. O ônibus sairia dali mais de duas horas. Me sentei num dos bancos próximos do box que indicava na passagem e com a mochila sobre o colo, comecei a observar as pessoas que estavam ao meu redor.
Quando o vi se aproximar, meu coração parecia que tinha parado de bater. Fiquei sem reação vendo ele vir em minha direção.
- Oi Daniel! - Eu não sabia o que responder e nem como agir quando Carlos sentou-se ao meu lado - Será que podemos conversar?
Quando consegui colocar as idéias no lugar simplesmente me levantei e colocando a mochila nas costas, comecei a andar...
- É importante - Ele disse segurando meu braço com força - Vi você comprando a passagem. Você não precisa ir tão longe para entender o que está acontecendo.
- Eu já entendi tudo! - Eu disse puxando meu braço.
- Então para que ir para Passo Largo? Você não vai descobrir quem é Pedro simplesmente indo numa cidade onde você não conhece ninguém.
Olhei para ele curioso pela primeira vez. Ele sabia sobre esse tal de Pedro.
- Que tal você se sentar? Eu te conto o que está acontecendo e respondo as perguntas que você tiver. Então, se mesmo assim você ainda quiser ir até lá, não vou te impedir. Apenas me dê essas esse tempo antes de o ônibus chegar.
CONTINUA
Um comentário:
issooooooooo mesmo..connversa com o cara daniel!!
^^
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