- Você realmente não olha pros lados, né? - Ela disse com uma careta.
Ele se sentiu incomodado com a presença da menina, mas perguntou:
- Eu devia te conhecer?
- Estudamos na mesma sala! - Ela disse com um tom de insatisfação, mas acrescentou sorrindo - Pelo menos nos dias em que você decide aparecer por lá.
Ela caiu na gargalhada. Ele sorriu sem graça.
- Você toca bem. O showzinho que você e sua banda fizeram ano passado no ginásio da escola foi muito legal. Quando vai ter outro?
Ao ouvir a palavra 'banda' seu coração apertou por alguns instantes e ele se levantou:
- Olha, na boa, não tô muito afim de conversa não. Mas você pode ficar aí tranquila que eu tô vazando, belê? - E pegando o violão, virou as costas e começou a caminhar de volta para casa.
- Espera... - E pegando a mochila, ela levantou e apressou o passo para alcançá-lo - Você não perguntou, mas acho que você não sabe - Pegou no braço dele e com um risinho acrescentou - Meu nome é Elisabete - E parada na frente dele, estendeu a mão para cumprimentá-lo - Mas pode me chamar de Lizzy, como a protagonista de "Orgulho e Preconceito".
Julián sentia-se atordoado diante dela. Não sabia como agir ou o que dizer. Ela não era uma pessoa normal. Falava rápido e com intimidade. Por alguns segundos, ficou parado apenas olhando-a. Mas com medo de parecer grosseiro, ele apertou a mão que continuava estendida.
- Meu nome é...
- Julián - Ela o cortou - Acho que todo mundo da cidade te conhece. Você é famoso - E fazendo uma voz zombeteira completou - "O rapaz que tentou se matar", como meu pai costuma dizer lá em casa - Terminou a fala rindo de maneira descontraída.
Ele a soltou assustado. Nem mesmo seu irmão costuma falar desse assunto com ele. Ele sabia que todos comentavam, mas nunca na sua frente e, principalmente, não de uma forma tão 'descontraída', como se falasse do clima, ainda por cima em um tom de brincadeira. Sempre sentia-se ofendido com a forma como o olhavam, como se ele fosse um "ET". Mas, diante daquela menina, sentia como se fosse... Normal? Como ela não disse mais nada, ele falou:
- Olha, eu tenho mesmo que ir embora.
- Tudo bem, deixo você ir. Mas só se me prometer uma coisa: tocar aquela música do Paramore para mim amanhã, no final da tarde, lá na árvore. Que acha? Mesmo local e mesmo horário? Não vale esquecer. Temos um encontro, viu?
Ela se colocou de lado, para que ele pudesse passar. Então ,ele continuou caminhando, com a cabeça baixa, sem saber o que dizer.
- Tchau, né? É educado se despedir das pessoas - Ela gritou!
Mas quando ele se voltou, ela já estava correndo no sentido contrário ao dele.
Voltou a caminhar sem coragem e balbuciou:
- Tchau.
Quando chegou em casa, viu o bilhete do seu irmão colado na geladeira:
"Deixei seu jantar no micro-ondas. Não me espere. Vou sair com a Sara depois do trabalho. Que tal você sair também? Podia ir ao cinema com o Felipe e o Tiago. Que tal?
Até mais!"
Fez uma careta ao ver o nome dos meninos. Pegando o prato dentro do micro-ondas sem nem aquecer, correu para sala. Se deitou no sofá para comer vendo algo na TV. Estava passando um programa de clipes. Nova apresentadora: uma bela ruiva que lhe parecia familiar. Tentou lembrar se a conhecia de outro programa. De repente, parou com o garfo no ar...
- Ela parece com a Lizzy.
Sacudindo a cabeça, tentou voltar a prestar atenção na TV, que exibia um dos seus clipes favoritos do The All-American Rejects.
Acabou dormindo no sofá com a TV ligada. Acordou já estava quase amanhecendo. Desligou a TV e começou a subir as escadas para seu quarto. Anderson não estava em casa. Devia ter dormido na casa da Sara. Como não estava mais com sono, resolveu tomar um banho. Enquanto a água escorria por suas costas, percebeu que essa tinha sido a primeira noite em meses em que ele não acordava gritando após uma noite turbulenta e com a mente vazia. Ele havia sonhado com uma menina de cabelos de fogo.
Já era quase fim de tarde quando ele começou a subir a ladeira apressado. Com o violão pendurado nas costas ele conversava sozinho:
- Nem sei o que estou fazendo aqui. Aquela guria nem vai aparecer. Deve estar apenas curtindo com a minha cara. Na verdade, eu nem disse que viria. Aliás, não estou indo por causa dela. Eu sempre vou até aquela árvore para tocar violão. Não tem nada haver com ela... Estou apenas... - Nesse momento ele percebeu um borrão vermelho debaixo da árvore. Quando se aproximou mais, viu que ela estava deitada sob a copa da árvore, com a cabeça encostada na mochila, o cabelo esparramado e os olhos fechados. Foi se aproximando silenciosamente e, enquanto a olhava, não pode deixar de sorrir.
- O que está acontecendo comigo?
CONTINUA

5 comentários:
Ai, André...
Vc vai me odiar por isso...
Mas eu não consigo mentir... rsrs
EU achei muito besta o nome do personagem principal ser o seu nome...
Sério... Quebrou toda a magia...
Num sei se é pq já te conheço há tanto tempo, mas...
Ah, naum... num gostei... =/
Mas a história tá ótima! rsrs
Ahh, tinha que ser o chato do Leandro, hahaha
Adorei que vc citou a Lizzie *-*
Adoro seus textos, já disse isso, né?
ah eu não acreditoooooooooooo...menino jurava que tinha comentado a séculos nesse capitulo...que isso?
*imagina quando eu ficar velha...kkk mas,deixa pra lá!!rs
gostei da personalidade desse menina!!uhu...que venham os proximos capitulos..ta emocionante...
#de onde tens tirado inspiração,hein moço?#
^^
bjo,fica com DEUS!!
Cada Vez Melhor.
Sabe, eu não sou muito observador não e muitas vezes tenho preguiça de reler. Mas eu não consegui notar qual foi a alteração que teve no nome do protagonista. O nome do Julian, só apareceu na segunda estória.
Sem mais Remarks, vamos em frente que a estória tá boa.
Quer personagem PERFEITAAA! Escrita por um autor incrível e com essa referência de nome só podia ser sensacional! ♡♡
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